segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sirvam-se dos vermes!

É hilário
Amar sem conhecer,
Refutar sem entender,
Rir sem motivo.

É medíocre
Desprezar ao primeiro impasse,
Aceitar-se como exemplo de verdade,
Cortar os pulsos.

É imbecil
Plantar azaléias no vácuo,
Esperar palavras de um asno,
Classificar deuses e endeusados.

É bizarro,
É doentio,
Mas quem disse que não poderia ser?

Dedicado a uma das criaturas mais invejosas do mundo! Pobre capitalistinha!
No próximo dia 10 de outubro haverá manifestações em várias capitais brasileiras e em outros países da América Latina.
Será o dia de Solidariedade ao Povo do Haiti.
Neste dia, manifestações exigirão das Autoridades brasileiras a retirada das tropas militares de invasão do País irmão.
No próximo dia 15 de outubro vence a licença que o Congresso Nacional brasileiro deu ao Poder Executivo para enviar as tropas.
Por isso, devemos exigir de Lula que não renove a licença, que retire imediatamente as tropas doHaiti.
Em Salvador, o ato será dia 10/10 às 16:00 h na Praça da Piedade.
Participe!
Defender o Haiti é defender a nós mesmo!!!

domingo, 12 de outubro de 2008

Verde

Autor: Saulo Silva

Foi um sonho
Que virou realidade
Um mar verde encantava
Depois de longas caminhadas
Mãos infantis abraçadas
Sorrisos mágicos no mato!!
Cachoeiras e rios
Trilha e sonora...
Um espetáculo...
Natural
As paisagens
E as amizades
Trilhas de verde e de verdade
E o sonho...
Verde realidade!!
Olhos e pele sobre o Vale
Sede e vontade
Toques marcantes
Beijos fortes e suaves
Planícies e montanhas
Sono profundo
E um só mundo
Acorda...que susto!!
Onde estou?

A turbulência econômica A crise em cordel

Nando Poeta, de São Paulo (SP)*

I
1929 estourou a depressão
A economia do mundo
Caiu toda pelo chão
Os bancos sem fundo
Teve uma grande explosão
E o capital ficou moribundo
II
A grande depressão
Foi a maldição do século vinte
Causando uma grande inflação
Deixando a massa pedinte
A 2ª guerra foi a ação
Será agora o passo seguinte?
III
A superprodução
É uma doença do capital
Agora na globalização
A crise é fenomenal
Toda a produção
Gera crescimento artificial
IV
A crise econômica americana
Faliu o crédito hipotecário
Botou abaixo a velha doutrina
Saindo no jornal diário
Mais um império em ruína
Dos megas bilionários
V
O sistema financeiro bichado
Com o Fed, o banco central
Com seus papeis arriscado
Que já não vale o metal
Pois seus títulos lastreados
Agora é o eixo do mal
VI
O galope da inflação
Puxa a crise no planeta
Engordaram com a especulação
Mamaram muito nas tetas
Agora querem que a população
Aceite suas receitas
VII
A taxa cai e sobe
O mercado fica nervoso
O prejuízo eles não cobre
O crack é perigoso
Assustados estão os nobres
Com acorda no pescoço
VIII
Em Brasiléia foi o marco
Com os 22 princípios básicos
Que se revelou ser um caco
Transformando tudo em trágico
O liberalismo vai ao mato
Para salvar somente o mágico
IX
A mão invisível do capital
Que regularia a economia
Agora ta passando mal
Levando abaixo a teoria
De todo projeto neoliberal
Que não se provou no dia-a-dia
X
O Capital dizia
Não é papel do Estado
Intervir na economia
Agora mudou o palavreado
Para a verba pública é fria
É assalto declarado
XI
O acordo de Brasiléia
Limita a soma do dinheiro
Mas os acordões de assembléia
Aprovará muito ligeiro
A coisa como ta feia
A grana virá do estrangeiro
XII
O tão falado megapacote
Estar sendo preparado
Dinheiro enchendo o pote
Que do povo foi roubado
Assaltar é sempre o mote
Desse capitalismo safado
XIII
O plano do tesouro
É injetar dinheiro público
Ao bandido todo o ouro
Ao explorado o suplico
Até tirar do corpo o couro
Pra sempre ganhar o rico
XIV
O pacote saneador
De 700 bilhões de dólar
Dizem ser o salvador
Pra banqueiro perdoar
Realmente o Trabalhador
Que a conta irá pagar
XV
Bush da Casa Branca
Com McCain e Obama
Depois da conversa franca
Organizaram uma trama
Os deputados botaram banca
E Bush Caiu da cama
XVI
O plano de Salvação
Proposto por Bush Filho
De olho na eleição
Deputados não deram milho
Aprovaram a rejeição
E a USA ficou sem trilho
XVII
Por 228 votos a 205
O pacote foi rejeitado
E Bush apertou o cinto
Malandragem de deputado
Que disse pro povo não minto
Só visando ser bem votado
XVIII
Passando a eleição
Com o pacote maquiado
Deputados aprovarão D
eixarão tudo de lado
Será feito um acórdão
Com apoio do senado
XIX
A grande queda do crédito
Aumentou o endividamento
A crise é o veredicto
Da miséria em andamento
O capitalismo não é mito
Demonstrou ser um tormento
XX
Wall Street em colapso
Feriu a superpotência
Ajuda pensa ser o passo
Pra sair da impotência
O capital nos seus tropeços
Vive hoje na insolvência
XXI
A economia em pânico
Mergulhou na quebradeira
Afundando feito Titanic
Salvar nem a feiticeira
Apesar de que é cíclico
O mercado desse a ladeira
XXII
É bolsa na agonia
Especulador no aperreio
Acordado noite e dia
Perturbando seu passeio
Os investidores na moradia
Agora já não é seu meio
XXIII
As bolsas em queda
E a maior seguradora
Nem com pára-quedas
A ajuda é protetora
Rombo que não se veda
A abertura é arrasadora
XXIV
Dinheiro em grande volume
Escapando pelo ralo
Voando como vaga-lume
Ou galopando a cavalo
O especulador não assume
O prejuízo desse embalo
XXV
O liberalismo em xeque
Fruto da recessão profunda
Assinado em branco o cheque
O mercado mais afunda
Brincar feito moleque
O império cai de bunda
XXVI
O declínio do império
As bolsas ficam no vermelho
O câmbio vai pro cemitério
Revelando-se bem no espelho
Que a crise não tem mistério
Já é casa sem ferrolho
XXVII
BRIC, países emergentes
Pensam que estão por fora
Mas por serem subservientes
Chegará a sua hora
Cairão lá do batente
Murcharão a sua bola
XXVIII
Da china ao Brasil
Mergulhará na turbulência
Acelerado a mil
Sofrerá as conseqüências
De uma política de funil
Aprovada por “excelências”
XXIX
O estouro da bolha
Os negócios foram pra china
Os preços caíram feito folha
A produção diminuiu na mina
Já tem rico jogando a toalha
E a queda será a sina
XXX
A crise econômica virá
O Brasil não é brindado
Quem viver verá
Pedaço pra todo lado
Lula pela frente dirá
Já foi tudo dominado
XXXI
A economia brasileira
Já está sendo afetada
A falta de crédito é a primeira
Situação localizada
Lula deixe de besteira
A dívida externa é uma facada
XXXII
Os estoques de investimentos
De capital estrangeiro
A qualquer um dos momentos
Pode fugir tão ligeiro
Com a economia em sofrimento
E o Brasil a perder dinheiro
XXXIII
Dependentes dos Estados Unidos
A economia do mundo inteiro
É China, Brasil, reino amigo
Alimentando esses banqueiros
Eh, na crise não é proibido
O governo injetar dinheiro
XXXIV
Com o capital fictício
O trabalho nunca ganha
A burguesia e seus vícios
É quem mais barganha
Pra sair do precipício
Luta de classe é a façanha
XXXV
O crédito consignado
Endividou muitas famílias
Aquilo que era fiado
Transformou- se numa pilha
De dividas para todo lado
Deixando a massa maltrapilha
XXXVI
Expropriar o agronegócio
A dívida não mais pagar
Retirar dos velhos sócios
A ganância de explorar
Construir outro negócio
Pra quem vive a trabalhar
XXXVII
O sistema bancário
Terá que ser estatizado
O poder do Operário
Tudo será organizado
Para construir um ideário
Que defenda o explorado
XXXVIII
O Sistema estatizado
A economia dará salto
O poder de nosso lado
Não terá mais o assalto
Trabalhador no seu estado
É emancipação no alto
XXXIX
A reação de quem trabalha
Terá que ser com muita luta
Cortando o mal com a navalha
Fortalecendo quem labuta
Pra derrotar a grande falha
E cobrar de volta a multa
XL
A crise do sistema
Não é só de regulação
Nem a moral é o problema
É capitalismo em desagregação
É capital em queima
É o sistema em explosão
XLI
O socialismo é saída
É hora de levantar bandeira
Pra defender a classe oprimida
Da barbárie que é certeira
Com a burguesia caída
Surge a alternativa verdadeira
XLII
Norte-bushianos
A pobreza é teu viver
Nenhum desses teus planos
Dará ao povo o que comer
Organizando se preciso em anos
Para derrubar o teu poder
Oprimidos, levantam e vamos
Emancipar, se proteger
Trabalhadores mais nunca engano
Agora é a hora de vencer

FICHA
Nome: A turbulência econômica
Tema: Política
Autor: Nando Poeta
Local: São Paulo (SP)
Data: Setembro de 2008
Estrofes: 41 de seis versos (sextilhas)
Final: Uma estrofe em acróstico NANDOPOETA

Depois de Marx, as lições de uma velha "bruxa": 'Deus mercado virou diabo', diz economista

Os Estados Unidos precisam regular, e rápido, o seu sistema financeiro sob pena de não conseguirem controlar a atual crise e perderem sua hegemonia no setor, advertiu a economista Maria da Conceição Tavares em entrevista à Reuters.A reportagem é de Mair Pena Neto e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 25-09-2008.Estabelecer as regras do jogo é a questão-chave para estabilizar o mercado, na opinião da professora da UFRJ e da Unicamp, uma das principais vozes da economia brasileira desde a década de 1970.Mas seria interesse do capitalismo se regular? A economista avalia que, no momento, sim, pois o modelo neoliberal naufragou. "O Deus mercado virou diabo na terra do gelo."A economista vê sinais de declínio dos EUA até pelo fato de o país não estar mais sozinho, como na crise de 1929, e ter que se entender com a China."Não escreveria hoje, como escrevi em 1984, a retomada da hegemonia americana. Ou resolvem rápido essa crise ou, se deixarem para depois da eleição, não conseguem manter a hegemonia", afirmou Conceição, para emendar, taxativa: "O século XXI não será norte-americano". Leia, a seguir, mais opiniões da economista.
BANCOS
O Brasil ainda não está ameaçado. Os bancos brasileiros não estão metidos nessa ciranda. Há uma supervisão muito grande do Banco Central. Mesmo os derivativos a BM&F registra. Não tem controle de capitais, mas tem registro, o que significa que, se você quiser controlar, tem os instrumentos. As condições favoráveis do Brasil são as seguintes: bancos privados não estão metidos nessa especulação; não temos dívida externa pública; temos reservas; o problema de balanço de pagamentos é pequeno; o impacto das commodities não dá para perceber e somos muito abertos ao mundo. Temos mais comércio com a Argentina do que com os EUA. Los hermanos são mais importantes que o big brother.
ECONOMIA REAL
A crise não está na economia real. Só na Europa e no Japão, onde a ligação entre bancos e a economia real é mais forte. No caso americano, não. Há um setor da economia real americana que já começou a decadência, e por aí virá uma recessão, que é o imobiliário. Esse não tem saída. No ciclo recente, o setor que primeiro puxa a economia americana é o imobiliário, depois automóveis, os duráveis e, finalmente, o investimento. Ainda não está claro se serão afetados. O investimento das empresas depende do que vai acontecer com a Bolsa. Se ela continuar oscilando, mas não tiver uma depressão, sobrevive.
RECESSÃO
Acho que vai ter uma recessão, ninguém duvida. Mas uma coisa é uma recessão, outra é uma depressão. Não há dúvida de que ainda vai ter uma liquidação de ativos financeiros que eram fictícios. Essa parte da liquidação financeira da riqueza vai continuar e a gente não sabe até quando. A ligação entre essa crise e o setor real agora é o aperto global do crédito. Se continuar, vamos para uma recessão global. Sem crédito, não funciona capitalismo algum.
ONTEM E HOJE
A única coisa que pode dar um certo otimismo é que em 1930 os EUA estavam sozinhos, mas agora eles têm a China como parceira. Em 1930, os EUA não tinham sócios, todas as reservas do mundo estavam com eles. Agora, os EUA não têm reservas, só têm dívida. Todas as reservas em dólar estão basicamente na Ásia.
DECLÍNIO DO IMPÉRIO
Desta vez acho que é sinal do declínio [americano]. A menos que levem no bico os chineses e russos. Estão com problemas de petróleo. Tinham que ter tomado providências imediatas para regular o mercado futuro de petróleo. Você não consegue mais fazer preço e os preços não têm tendência específica, sobem e descem de maneira enlouquecida. Nisso não se parece nada com 1930, que era uma crise de deflação de ativos e de preços. Agora é de liquidação de ativos financeiros e os preços... não têm uma tendência definida.
SEM BRETON WOODS
A complicação é como [os EUA] se entendem com Europa de um lado e China do outro. Não são parceiros da mesma natureza. Infelizmente, não creio que vá haver uma reunião como Breton Woods. Não estamos caminhando para uma ordem mundial nova. Estamos caminhando para uma certa desordem. Os parceiros não vão seguir as ordens americanas, sobretudo em matéria financeira. É difícil um acordo por Estados. Acho que os EUA vão se regular primeiro e os demais países vão se adaptar, não creio em regulação conjunta. Seria ideal, mas não creio.
FALHAS NO PACOTE
O [Henry] Paulson [secretário do Tesouro dos EUA], homem de Wall Street, propôs salvar os bancos e só. Não disse mais nada sobre regulá-los. Os candidatos não estão satisfeitos com essa idéia de socializar os prejuízos. [Os EUA] fizeram isso na década de 1990. A raiz dessa crise é a crise de 1990, quando, em vez de regular, liberalizaram tudo na pretensão de que os mercados se auto-regulavam, sobretudo as grandes instituições que tinham rating. Aí o Congresso começou a chiar e aos poucos os bancos vão começar aceitando a supervisão.
DEUS E O DIABO
No momento, interessa ao capitalismo se regular. O neoliberalismo foi-se. O Deus mercado virou diabo na terra do gelo. Sofreu golpe mortal. Paulson ainda queria manter dessa maneira, tanto que não falou em regulação, mas o pessoal cobra porque é dinheiro para burro... O governo terá de regular, não é um processo fácil. Terá que fazer acordo com comissões financeiras do Senado e da Câmara. Se conseguirem um acordo, aí já dá para todos irem para casa disputar as eleições.
DONO DO CASSINO
Ou os EUA resolvem quais são as regras agora, enquanto são donos do cassino, ou daqui a pouco não adianta nada porque não serão mais os donos. É mais fácil fazer acordo quando eu, que sou a banca, faço as regras e convido os demais a seguirem ou se adaptarem. Ou resolvem rápido ou se deixarem para depois da eleição não conseguem manter a hegemonia.
SEM DINHEIRO
O auxílio dos bancos centrais não resolveu nada, só injetou liquidez. Quando você injeta liquidez, mas os bancos não emprestam uns aos outros, mais sobe a taxa interbancária. Esse assunto não está resolvido. Foi isso que levou o Paulson a avançar para resgatar os títulos podres para que as instituições fiquem sãs.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

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Grito teu nome!
Me disse que esperaria!
Disse: seguiremos juntos!
Mas a cidade está vazia!

Mais uma vez te encontrei!
Pude me apaixonar!
Tua fala cancionada!
Tua boca...

Gritei e acordei aflito!
Desesperado, perdido!
Tanto, que amaldiçoou o sono!
Serei teu até a alvorada!

(foto: Paulo Rezende paulovrezende.blogspot.com)
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Minha poesia repousa,
Absorta,
A aguardar seu tempo.

Habita atrás do imperativo,
Onde há natureza,
E como o anu,
Voa somente na bonança.

Nesses momentos sou simplesmente,
Aquele vindo para experimentar,
Provar folhas, cheirar chãos.

Agora, apenas escuto os dizeres da alma,
E nas conversas ela fala: espera,
Descansa meu poeta!

Obs: inauguro uma nova fase!

Para compreender a crise financeira

Mercados internacionais de crédito entraram em colapso e há risco real de uma corrida devastadora aos bancos. Por que o pacote de 700 bilhões de dólares, nos EUA, chegou tarde e é inadequado. Quais as causas da crise, e sua relação com o capitalismo financeirizado e as desigualdades. Há alternativas?

Depois de terem vivido uma segunda-feira de pânico, os mercados financeiros operam, hoje, em meio a muito nervosismo. A bolsa de valores de Tóquio caiu mais 3%, apesar de o Banco do Japão injetar mais 10 bilhões de dólares no sistema bancário. Na Europa, há pequena recuperação das bolsas, diante de rumores sobre uma redução coordenada das taxas de juros, pelos bancos centrais. Em contrapartida, anunciou-se que a situação do Royal Bank os Scotland (RBJ) pode ser crítica — e que outros bancos estariam sob forte pressão.
A crise iniciada há pouco mais de um ano, no setor de empréstimos hipotecários dos Estados Unidos, viveu dois repiques, nos últimos dias. Entre 15 e 16 de setembro, a falência de grandes instituições financeiras norte-americanas [1] deixou claro que a devastação não iria ficar restrita ao setor imobiliário. No início de outubro, começou a disseminar-se a sensação de que o pacote de 700 bilhões de dólares montado pela Casa Branca para tentar o resgate produziria efeitos muito limitados. Concebido segundo a lógica dos próprios mercados (o secretário do Tesouro, Henry Paulson, é um ex-executivo-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs), o conjunto de medidas socorre com dinheiro público as instituições financeiras mais afetadas, mas não assegura que os recursos irriguem a economia, muito menos protege as famílias endividadas.
Deu-se então um colapso nos mercados bancários, que perdura até o momento. Apavoradas com a onda de falências, as instituições financeiras bloquearam a concessão de empréstimos – inclusive entre si mesmas. Este movimento, por sua vez, multiplicou a sensação de insegurança, corroendo o próprio sentido da palavra crédito, base de todo o sistema. A crise alastrou-se dos Estados Unidos para a Europa. Em dois dias, cinco importantes bancos do Velho Continente naufragaram [2].
Muito rapidamente, o terremoto financeiro começou a atingir também a chamada “economia real”. Por falta de financiamento, as vendas de veículos caíram 27% (comparadas com o ano anterior) em setembro, recuando para o nível mais baixo nos últimos 15 anos. Em 3 de outubro, a General Motors brasileira colocou em férias compulsórias os trabalhadores de duas de suas fábricas (que produzem para exportação), num sinal dos enormes riscos de contágio internacional. Diante do risco de recessão profunda, até os preços do petróleo cederam, caindo neste 6/10 a 90 dólares por barril – uma baixa de 10% em apenas uma semana. A tempestade afeta também o setor público. Ao longo da semana, os governantes de diversos condados norte-americanos mostraram-se intranqüilos diante da falta de caixa. O governador da poderosa Califórnia, Arnold Schwazenegger, anunciou em 2 de outubro que não poderia fazer frente ao pagamento de policiais e bombeiros se não obtivesse, do governo federal, um empréstimo imediato de ao menos 7 bilhões de dólares.
Nos últimos dias, alastrou-se o pavor de algo nunca visto, desde 1929: desconfiados da solidez dos bancos, os correntistas poderiam sacar seus depósitos, o que provocaria nova onda de quebras e devastaria a confiança na própria moeda. Em tempos de globalização, seria “a mãe de todas as corridas contra os bancos”, segundo a descreveu o economista Nouriel Roubini, que se tornou conhecido por prever há meses, com notável precisão, todos os desdobramentos da crise atual.
Os primeiros sinais deste enorme desastre já estão visíveis. Em 2 de outubro, o Banco Central (BC) da Irlanda sentiu-se forçado a tranqüilizar o público, anunciando aumento no seguro estatal sobre 100% dos depósitos confiados a seis bancos. Na noite de domingo, foi a vez de o governo alemão tomar atitude semelhante. Mas as medidas foram tomadas de modo descoordenado, porque terminou sem resultados concretos, no fim-de-semana, uma reunião dos “quatro grandes” europeus [3], convocada pelo presidente francês, para buscar ações comuns contra a crise. Teme-se, por isso, que as iniciativas da Irlanda e Alemanha provoquem pressão contra os bancos dos demais países europeus, onde não há a mesma garantia. Além disso, suspeita-se que as autoridades estejam passando um cheque sem fundos. Na Irlanda, o valor total do seguro oferecido pelo BC equivale a mais do dobro do PIB do país...
Também neste caso, os riscos de contágio internacional são enormes. Roubini chama atenção, em especial, para as linhas de crédito no valor de quase 1 trilhão de dólares entre os bancos norte-americanos e instituições de outros países. É por meio deste canal, hoje bloqueado, que o risco de quebradeira bancária se espalha pelo mundo. Mesmo em países menos próximos do epicentro da crise, como o Brasil, as conseqüências já são sentidas. Na semana passada, o Banco Central viu-se obrigado a estimular os grandes bancos, por meio de duas resoluções sucessivas, a comprar as carteiras de crédito dos médios e pequenos – que já enfrentam dificuldades para captar recursos.
Em conseqüência de tantas tensões, as bolsas de valores da Ásia e Europa estão viveram, na segunda-feira (6/10) um dia de quedas abruptas. Na primeira sessão após a aprovação do pacote de resgate norte-americano, Tóquio perdeu 4,2% e Hong Kong, 3,4%. Quedas entre 7% e 9% ocorreram também em Londres, Paris e Frankfurt. Em Moscou, a bolsa despencou 19%. Em todos estes casos, as quedas foram puxadas pelo desabamento das ações de bancos importantes. Em São Paulo, os negócios foram interrompidos duas vezes, quando quedas drásticas acionaram as regras que mandam suspender os negócios em caso de instabilidade extrema. Apesar da intervenção do Banco Central, o dólar chegou a R$ 2,20.
Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados
A esta altura, todas as análises sérias coincidem em que não é possível prever nem a duração, nem a profundidade, nem as conseqüências da crise. Nos próximos meses, vai se abrir um período de fortes turbulências: econômicas, sociais e políticas. As montanhas de dinheiro despejadas pelos bancos centrais sepultaram, em poucas semanas, um dogma cultuado pelos teóricos neoliberais durante três décadas. Como argumentar, agora, que os mercados são capazes de se auto-regular, e que toda intervenção estatal sobre eles é contra-producente?
Mas, há uma imensa distância entre a queda do dogma e a construção de políticas de sentido inverso. Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados.
O pacote de 700 bilhões de dólares costurado pela Casa Branca é o exemplo mais acabado deste viés. Nouriel Roubini considerou-o não apenas “injusto”, mas também “ineficaz e ineficiente”. Injusto porque socializa prejuízos, oferecendo dinheiro às instituições financeiras (ao permitir que o Estado assuma seus “títulos podres”) sem assumir, em troca, parte de seu capital. Ineficaz porque, ao não oferecer ajuda às famílias endividadas — e ameaçadas de perder seus imóveis —, deixa intocada a causa do problema (o empobrecimento e perda de capacidade aquisitiva da população), atuando apenas sobre seus efeitos superficiais. Ineficiente porque nada assegura (como estão demonstrando os fatos dos últimos dias) que os bancos, recapitalizados em meio à crise, disponham-se a reabrir as torneiras de crédito que poderiam irrigar a economia. Num artigo para o Financial Times (reproduzido pela Folha de São Paulo), até mesmo o mega-investidor George Soros defendeu ponto-de-vista muito semelhantes, e chegou a desenhar as bases de um plano alternativo.
Outras análises vão além. Num texto publicado há alguns meses no Le Monde Diplomatique, o economista francês François Chesnais chama atenção para algo mais profundo por trás da financeirização e do culto à auto-suficiência dos mercados. Ele mostra que as décadas neoliberais foram marcadas por um enorme aumento na acumulação capitalista e nas desigualdades internacionais. Fenômenos como a automação, a deslocalização das empresas (para países e regiões onde os salários e direitos sociais são mais deprimidos) e a emergência da China e Índia como grandes centros produtivos rebaixaram o poder relativo de compra dos salários. O movimento aprofundou-se quando o mundo empresarial passou a ser regido pela chamada “ditadura dos acionistas”, que leva os administradores a perseguir taxas de lucros cada vez mais altas. O resultado é um enorme abismo entre a a capacidade de produção da economia e o poder de compra das sociedades. Na base da crise financeira estaria, portanto, uma crise de superprodução semelhante às que foram estudadas por Marx, no século retrasado. Ao liquidar os mecanismos de regulação dos mercados e redistribuição de renda introduzidos após a crise de 1929, o capitalismo neoliberal teria reinvocado o fantasma.
Wallerstein vê nos sistemas públicos de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se todos tivermos direito a uma vida digna, quem se preocupará em acumular dinheiro?
Marx via nas crises financeiras os momentos dramáticos em que o proletariado reuniria forças para conquistar o poder e iniciar a construção do socialismo. Tal perspectiva parece distante, 125 anos após sua morte. A China, que se converteu na grande fábrica do mundo, é governada por um partido comunista. Mas, longe de ameaçarem o capitalismo, tanto os dirigentes quanto o proletariado chinês empenham-se em conquistar um lugar ao sol, na luta por poder e riqueza que a lógica do sistema estimula permanentemente.
Ao invés de disputar poder e riqueza com os capitalistas, não será possível desafiar sua lógica? O sociólogo Immanuel Wallerstein, uma espécie de profeta do declínio norte-americano, defendeu esta hipótese corajosamente no Fórum Social Mundial de 2003 - quando George Bush preparava-se para invadir o Iraque e muitos acreditavam na perenidade do poder imperial dos EUA. Em outro artigo, publicado recentemente no Le Monde Diplomatique Brasil, Wallerstein sugere que a crise tornará o futuro imediato turbulento e perigoso. Mas destaca que certas conquistas sociais das últimas décadas criaram uma perspectiva de democracia ampliada, algo que pode servir de inspiração para caminhar politicamente em meio às tempestades. Refere-se à noção segundo a qual os direitos sociais são um valor mais importante que os lucros e a acumulação privada de riquezas. Vê nos sistemas públicos (e, em muitos países, igualitários) de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se a lógica da garantia universal a uma vida digna puder ser ampliada incessantemente; se todos tivermos direito, por exemplo, a viajar pelo mundo, a sermos produtores culturais independentes e a terapias (anti-)psicanalíticas, quem se preocupará em acumular dinheiro?
O neoliberalismo foi possível porque, no pós-II Guerra, certos pensadores atreveram-se a desafiar os paradigmas reinantes e a pensar uma contra-utopia. Num tempo em que o capitalismo, sob ameaça, estava disposto a fazer grandes concessões, intelectuais como o austríaco Friederich Hayek articularam, na chamada Sociedade Mont Pelerin, a reafirmação dos valores do sistema [4]. Seus objetivos parecem hoje desprezíveis, mas sua coragem foi admirável. Eles demonstraram que há espaço, em todas as épocas, para enfrentar as certezas em vigor e pensar futuros alternativos. Não será o momento de construir um novo pós-capitalismo?
[1] Em 12/9, o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou, depois que as autoridades monetárias recusaram-se a resgatá-lo. No mesmo dia, o Merrill Lynch anunciou sua venda para o Bank of America. Em 15/9, a mega-seguradora AIG (a maior do mundo, até há alguns meses) anunciou que estava insolvente, sendo nacionalizada no dia seguinte com aporte estatal de US$ 85 bilhões
[2] O Fortis foi semi-nacionalizado pelos governos da Holanda, Bélgica e Luxemburgo. O Dexia recebeu uma injeção de 6,4 bilhões de euros, patrocinada pelos governos da França e Bélgica. O Reino Unido nacionalizou o Bradford & Bingley (especialista em hipotecas), vendendo parte de seus ativos para o espanhol Santander. O Hypo Real Estate segundo maior banco hipotecário alemão entrou numa operação de resgate cujo custo podia chegar a 50 bilhões de euros, mas cujo sucesso ainda não estava assegurado, em 5/9. A Islândia nacionalizou o Glitnir, seu terceiro maior banco
[3] Alemanha, França, Reino Unido e Itália, os membros europeus do G-8
[4] Sobre a contra-utopia hayekiana, ler, no Le Monde Diplomatique, “Pensando o Impensável” , de Serge Halimi

domingo, 5 de outubro de 2008

Botão

Eu e Messiê ou Agradecimentos a Messiê

Quando me cai um botão
Sinto o tempo
Deformando a roupa
Desabotoando minha aparência

Deixo-o pelo chão
Junto à vaidade
Curvar-se seria viver outro estilo

sábado, 4 de outubro de 2008


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Que dureza!


Estou possuído pelo mal-humor
Uma noite de sono perdido
Uma manhã sem café da manhã
Um desentendimento ao sair de casa
São os responsáveis por esse estado raivoso e agressivo

A mente em chamas incendeia o ar
E cada recôndito esconderijo da paz
Explodo os carros que me fecham
Estraçalho as janelas fechadas para meu caos
Cometo mil danos ao mesmo tempo em que olho

Pareço um super-homem do ódio
Hábil depurador da graça e da beleza
Enxergo dor onde o belo reina
Carrego de rancor gestos de agradecimento
Desejo o mal dos meus esquecidos inimigos

Nessa manhã incomum
O mundo poderia se desgraçar
As mulheres poderiam caminhar nuas
O céu e o mar poderiam estar perfeitos

Poesia na Praça: 15 Anos sem Antonio Short

No próximo dia 07 de outubro (terça-feira) às 18h, acontecerá no Quadrilátero da Biblioteca Pública do Estado, nos Barris, o evento Poesia na Praça: 15 Anos sem Antonio Short: exposição de livros, jornais, fotografias e um recital de poemas em homenagem ao poeta baiano Antonio Short, falecido em 07 de outubro de 1993.

Poetas, amigos e parentes recitarão poemas produzidos por Short, em três vertentes: lírica amorosa, crítico-existencialista com referências à contracultura, regionalista-sertaneja, com menções à guerra de Canudos. Entre os intérpretes, os poetas Douglas de Almeida, Ametista Nunes, Walter Cezar, Marcos Peralta, Gilberto Teixeira e Zeca Short.

O poeta Antonio Roberto Barreto Short, nascido em 14 de junho de 1947 na cidade de Monte Santo, foi uma das figuras mais importantes do Movimento Poetas na Praça, que durante a década de oitenta do século passado, desenvolveu um importante trabalho de popularização da poesia independente/alternativa, nas praças e ruas de Salvador.

Short publicou diversos livros e folhetos, entre os quais: Itinerário de Rua (1972), Existe acato na canção de cada noite (1980), e Jogos de Jagunços (1982). Uma das figuras mais polêmicas e irreverentes da literatura baiana, recitava poemas de forma performática, influenciado pelas obras de Gregório de Mattos, Zé Limeira e Cuíca de Santo Amaro.

Show de Jorge Ben foi adiado!


O show que Jorge Ben Jor faria neste sábado, 11, no Cais Dourado (Comércio), foi adiado para o dia 14 de novembro.

A produção do artista informa que ele passou por uma cirurgia no joelho direito, no último dia 25 e, por recomendação médica, deverá ficar de molho por mais 20 dias.

Os ingressos adquiridos para a apresentação do dia 11 terão validade para o show de 14 de novembro.

Além do cantor e compositor baiano Jau e o DJ Bandido, a noite contará com o Camarote Simplesmente Luxo. O show é uma realização do Cais Dourado, em parceria com a Íris Produções.

Os ingressos do lote promocional custam R$ 40 (pista feminino), R$ 90 (pista masculino) e R$ 130 (camarote). À venda na Ticketmix dos shoppings Iguatemi, Aeroclube, Barra e Estrada do Coco e no Balcão de Ingressos.

Mais informações pelos fone 3242.2200 ou pelo site www.caisdourado.com.br

terça-feira, 30 de setembro de 2008


Poetas
Não me contem seus sonhos
Não me expliquem suas desilusões
Não aguento lê-los
Cansei de ouvi-los

Tampouco, consigo reler-me
Aqueles poemas sem nexo
A incompreensão dos versos tristes

Tudo continuará como está
Nada embelezará minha escrita
Quero-a crua como sou
Como é meu interior
Não a quero poética
Quero-a má e furiosa
Como o espírito que carrego
E que me leva

Aos amigos queridos


Meus queridos amigos, já não os conheço.
Tornaram-se amigos de outros, como tornei-me.
Novas amizades, novos fatos, novas vidas os mudaram.
Aos poucos fomos perdendo aquela tal identidade.
Vivíamos como uma tribo: mesmos hábitos e costumes.
Era como se não houve família, éramos amigos e nos bastávamos.
Um telefonema e estávamos reunidos, aglomerados.
Só haveria alegria se todos estivessem ao lado.
Cada pirraça dependia da presença do outro e do outro.

Embarcamos em histórias para serem contadas por toda vida.
Brigamos, discutimos, fizemos as pazes, saímos ganhando.
Desfrutamos de um laço tão puro, que pode ser percebido noutros bichos.

E o mundo gira, cambaleia, e fomos para vários lados,
Dar seqüência ao ciclo da existência, aos planos formados.
E levamos no peito aquela amizade sem tamanho ou equivalente.
E achamos noutros traços aqueles rostos amigáveis e seguimos adiante.

Já não somos aquelas pessoas que pensavam tão coesamente.
Já não somos tão ligados, mas ainda somos amigos.
Apesar das distâncias dos pensamentos.
Muito embora não nos vejamos há tempos.
Continuamos amigos, amigos profundamente.

Obs.: achei essa sem querer, perdida entre alguns fragmentos. Quase pude sentir as forças que levaram-me a escrevê-la.

Propriedade solar



Ela sente o calor do Saara
E seu queimar é tão pulsante
Que ao olhar o sol pela janela
O céu se ensolara, desanuvia
Para que todos possam vê-la brilhar

Sai sempre de saia, pouco vestida, atrevida
Tem de fora o pé da barriga, os ombros
E o vapor da carne a humedecer olhares

Sua força arde como lava cremosa
Por isso caminhe com naturalidade
Trejeitando destreza e desapego ao real

Essa criatura incandescente
Ativa construtora de sua história
Conta com a concordância dos astros
Por ser astro na terra, irmã do tempo
De predicativos humanos em sentido desumano

O seu calor adere aos corpos receptivos, yin e yang
Aos homens vorazes, às mulheres capciosas
Às crianças risonhas, aos idosos, ao cão de rua

Eles a vêem e a comem e precisam tocá-la
Desejam e querem consumi-la totalmente
Ela é coisa e dela necessitam ainda mais
Tê-la nua no cômodo feito lâmpada ligada

Mas ela, ela vive em si e para fora
Independe do resto, desobedece ao curso formal
As mulheres que exala pelos poros e gestos e palavras
Desconhecem sujeito apto a dominá-las
Capaz de retribuir-lhes os prazeres à altura

A Mulher, essa figura, apesar de tudo, os serve
E os ama e nem percebem
Ela passa com a intenção de acordá-los
De subverter a monótona paisagem do dia gris
Ao deixar nos olhares um tiquinho de plena luminosidade

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Teses sobre a tática eleitoral

1 – As eleições são o campo de disputa próprio das diversas frações da burguesia ao redor do estado, para se saber qual ou tal fração comandará a máquina governamental, qual correlação de forças se estabelecerá entre ditas frações em disputa pelo comando de cargos e postos na máquina estatal. As eleições, isto é, o sufrágio universal correspondem à democracia burguesa erigida em estado parlamentar e por meio destas as frações burguesas se alternam no comando estatal sem a necessidade de rupturas violentas.

2 - O método da disputa eleitoral, sobretudo em “épocas pacíficas”, constitui o único meio possível para se chegar ao comando do estado burguês, o que não exclui, que em ‘épocas de crise’, certos agrupamentos políticos representando interesses de alguma fração ou mesmo da totalidade da burguesia (especialmente em épocas em que seu poder se vê ameaçado) possam chegar ao comando do estado burguês por meio de um golpe palaciano ou uma revolução política. Nas eleições intervém necessariamente o poder econômico. Por ser a burguesia a classe dominante materialmente no regime do capital as disputas entre suas frações se convertem em disputas envolvendo uma gastança fabulosa de dinheiro para eleger seus candidatos. Tal gastança permite ainda à burguesia tornar a disputa do estado quase inacessível ou ao menos reduzir em muito o potencial de disputa das demais classes, exploradas e submetidas a ela, sobre o poder de estado.

3 – A estratégia revolucionária é a da ditadura do proletariado, isto é, da destruição da máquina governamental burguesa, amplamente apoiada na burocracia e no exército permanente, e da sua substituição pelo povo armado e por organismos de poder dos operários. Única forma estatal, através da qual é possível expropriar a burguesia, realizar as tarefas democráticas pendentes e estabelecer o desenvolvimento das relações socialistas de produção com o objetivo da constituição da sociedade sem classes, o comunismo.

4 – A tática do partido revolucionário consiste em atuar no seio das massas trabalhadoras, impulsionar a luta econômica e transformá-la em batalha política contra a burguesia e seu estado. A insurreição armada contra a burguesia só é possível na medida em que a maioria nacional oprimida dirigida pelo proletariado tenha superado suas ilusões na condução do país pela burguesia e esta tenha sido derrotada ideologicamente pelo partido revolucionário. Uma vez que as massas estão embriagadas com a ideologia burguesa, não possuindo consciência de classe e não confiando em suas próprias forças e métodos de luta sendo arrastadas pelas promessas burguesas para o circo eleitoral cabe ao partido revolucionário fazer a disputa pela influencia nos trabalhadores também neste terreno. Trata-se neste caso da tática eleitoral dos revolucionários.

5 – Os partidos da pequena burguesia, que estão numa relativa dependência política da burguesia e se propõe a introduzir reformas no sistema econômico, mas nunca sua derrubada, disputam com burguesia a condução do estado e se lançam nas eleições com vistas a disputar com as frações burguesas o aparelho governamental. O que significa que os reformistas disputam com as frações burguesas o controle sobre as massas arrastadas pelo processo eleitoral, mas unicamente com o propósito de aperfeiçoar o sistema de exploração do capital.

6 – A tática eleitoral, consiste em intervir nas eleições com o programa proletário, isto é, defender as reivindicações mais sentidas das massas, denunciar as eleições como uma farsa para a enganar os trabalhadores, defender a construção do partido revolucionário e apontar a saída estratégica para a crise capitalista: a revolução proletária. As mais variadas formas de intervenção eleitoral tais como: alianças eleitorais; apoio eleitoral a determinados candidatos ou partido de base operária; intervenção direta do partido revolucionário com candidatos próprios, defesa do voto nulo programático etc dependem das condições do país, da penetração do partido entre as massas e da conjuntura eleitoral. As mais variadas formas de intervenção nas eleições devem estar sempre subordinadas à estratégia da revolução e ditadura proletárias.

7 – A história da luta de classes ensina que a vitória eleitoral do partido revolucionário e sua intervenção da tribuna parlamentar só ajudam a aumentar a influência das idéias revolucionárias entre os trabalhadores de todo o país. A atuação dos revolucionários no parlamento burguês, ao contrário da atuação dos partidos da pequena burguesia reformista, deverá ser sempre a de tribuno do proletariado na denúncia das condições de vida das massas, dos crimes da burguesia etc e se subordinando ao método da ação direta das massas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

DIA DE LUTA PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

28 DE SETEMBRO
Domingo
Pic-Nic

De 09:30 às 13:30 h., nas Gordinhas de Ondina

Junte-se a nós nesse Dia de Luta.
Vista-se de branco, roupa leve, traga um lanche, as crianças e venha participar das atividades de WenDo, Dança, Malabares e Panfletagem.

NENHUMA MULHER DEVE SER PERSEGUIDA, HUMILHADA OU PRESA PELA PRÁTICA DO ABORTO !!!

Frente pela Legalização do Aborto

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Mãos ao lápis


Verdade seja dita
Deus me livre ser polícia

O que mais me mataria
Seria ter de manter-me vigilante
Todas as horas do dia
Previnido do mundo

O temor pela segurança da família
Conviver com ameaças, viveríamos inseguros
Reclusos, reféns

Arma sempre ao alcance
Arma na cintura, arma no pé, recarga no bolso
Gás-paralisante
Para reagir a qualquer instante: assalto, revide

Não poder aproveitar o anonimato das ruas
Cada sujeito seria suspeito, as faces se misturariam
Nenhum lugar agradaria, o povo seria medonho

Estar à paisana apenas dentro do mar
E nadar, mas não adentrar o oceano

Ser obrigado a matar
Mirrar na cabeça, mirrar no coração
Em nome da profissão
Para continuar vivendo

Lidar com sujeitos de real maldade
Conversar-lhes, respirá-la
Internalizá-la, morrer por dentro
Crucificar minha amada poesia
Me restariam os contos policiais

Dinheiro e estabilidade quase me convenceram
Paz e poesia sangraram do peito

Alá Messiê

Autor: Messiê, o cara da confirmacion

Sem pena
sepultaram ele!

Tudo no silêncio,
escondido pelos tapumes
Como se construissem
uma nova escola
Rápido sem demora

As árvores ele manteve,
E os passarinhos?
Irão morrer de sede

E no parquinho
a noite não têm crianças
tem o homem da bermuda branca

Mas fiquemos tranquilos
pois jã estão na rua
os soldados de papel"

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Como pensei

Não sei se ela quer minha poesia
Ouvir-me declamá-la na cama desfeita
Sob beijos apaixonados e sutis carícias

Não sei se ela quer meu membro
Amando-a fatalmente no colchão desforrado
Sob tapas acesos e beliscões malvados

Talvez busque esses dois homens
Talvez não se interesse por nenhum
Talvez adore transar com vários

Sei que a deixarei refestelada no leito
Serena e mole, abraçada ao travesseiro
Pensando em quem cabou de ter ao lado

Bom do dia



Cheiro de mulher de manhã
Aroma que qualifica o frescor do vento
Alcanço-o tanto quanto posso, sou dele
Pelos pêlos, através do corpo, com os olhos

Essa fêmea de pele aromatizante
Vasta como a fina essência do jasmim
Ativa meu matutino instinto leonino
O dia ganha graça, nem bem havia despertado

Imagino-a saindo entre os vapores do banho morno
Enxugando as gotas, desembaraçando os cachos
Passa o creme no rosto, depois passa outro no corpo
E sela as carnes com lavanda, até à altura dos joelhos

Imagino-a se olhando no espelho embaçado
Nua, admirando aqueles lindos seios suculentos
E veste a calcinha cheirosa com rendas e pérola
E se olha de lado e se olha de costas

Cheiro de mulher de manhã, que brisa quente
O calor do ar do dia do amor da vida do sexo
Senti-lo é dormir até bem mais tarde, insone
Lembrado-se da pele sestrosa, perfume de carne
.
.
Obs: fazer poesia é o melhor passa-tempo do mundo. É terapéutica, relaxante e inofensiva!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Forró da axila (rasta chinela messiê)



Não há carne mais macia
Que axila feminina
Ou buraco tão cheiroso
Quanto o do canto do olho
Nem há pele mais sedosa
Que a do meio das costa
Muito menos umas coxa
Que adoce o céu da boca
.
Rapariga tem o dom
De encantar com sutileza
Cada dedo de detalhe
Enche ela de beleza
.
Quando olho uma moça
Encontro fácil a formosura
Não vejo nada de Santa
Nem um tiquinho de candura
Há malicia no seu rosto
E um bocado de desejo
De nós colar o corpo
E se pegar logo num beijo

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

De passagem

Autor: Leonardo Pedreira

A dor que nasce no peito
Angustia a alma
Os ruídos fúnebres trazem o silêncio

O vazio que afunda os sentidos
Adormece no vento frio da solidão
Nada mais vale a pena

A saída aparece no infinito
Uma luz ao encontro de um olhar
Apenas um pensamento leviano

Ainda não foi dessa vez,
Já é hora de acordar.

Alívio (em resposta ao poema acima)

Autor: Diogo Guanabara

A angustia que sentes
a ti não mais pertence.
Num papel, há dor
de um peito incrédulo.

Que fique nele, pois.
Com todas as agruras e desgostos
de um mar asno:
Sedento de amar
vacilante no querer.

Não perca de vista o objeto!
Lápis e papel, confidentes fieis.
Verás que não está só.
"É caminhando que se caminha".

Bush teve "uma" recaída e encheu a cara em Pequim. Chupa Caetano q a cana é doce!






quinta-feira, 18 de setembro de 2008

DECLARAÇÃO DA 4ª INTERNACIONAL SOBRE A SITUAÇÃO NA BOLÍVIA

Apoio incondicional ao povo boliviano e seu governo legítimo!
Fora a ingerência do imperialismo estadunidense!

Há meses, a administração Bush e seu embaixador em La Paz, Philippe Goldberg, não param de tramar um golpe contra o governo legítimo de Evo Morales. Para eles esse é um governo culpado de decretar, em 1º de maio de 2006, a nacionalização do gás e dos hidrocarbonetos; de nacionalizar a empresa de telefonia Entel e uma série de empresas e serviços estratégicos; de ter feito reforma agrária e começado a discutir com a COB o restabelecimento de um sistema de aposentadoria por repartição. A administração estadunidense procede da mesma maneira que procedeu quando Hugo Chávez chegou ao poder na Venezuela: tentou, por todos os meios, apoiar um golpe de Estado para reverter a situação, em 11 de abril de 2002.

O embaixador estadunidense, Philippe Goldberg, não é qualquer embaixador. Antes de chegar à Bolívia, em 2006, ele trabalhou no escritório do Departamento de Estado para a Bósnia durante a guerra de esfacelamento da Iugoslávia. De 2004 a 2006, ele foi o chefe de missão em Prístina (Kosovo), jogando um papel fundamental na pseudo "independência" de Kosovo e na "separação étnica" entre kosovares e sérvios.

É o próprio Philippe Goldberg quem retoma essa mesma tarefa na Bolívia, financiando e planejando com os prefeitos de Santa Cruz, Tarija... o esfacelamento da Bolívia. Ele até prometeu o envio de tropas sob a égide da ONU para garantir a separação destes departamentos.

Essa política que vilipendia hoje os direitos mais elementares do povo boliviano é a política de Bush no mundo inteiro. Uma política que, em nome da "guerra sem fim", já provocou 1.200.000 mortes no Iraque, estendeu a guerra para todas as regiões (Afeganistão, Paquistão...) e incitou um confronto entre os povos do Cáucaso. É essa política que pilha a riqueza de todos os países. É a política que sofrem os trabalhadores e o povo dos Estados Unidos, atacados nos seus direitos mais elementares, direito ao trabalho, à saúde, à moradia...

É a única resposta que o imperialismo pode dar quando confrontado à assustadora crise econômica que se agrava a cada dia, e que demonstra uma vez mais a falência do sistema apodrecido da propriedade privada dos meios de produção.

A Quarta Internacional e suas seções, que combatem pela expropriação de todos os grandes meios de produção, de troca e de distribuição, pelos Estados Socialistas das Américas, defende incondicionalmente o governo de Morales e o governo de Chávez contra toda a ingerência do imperialismo.

O plano do imperialismo estadunidense de destruição da Bolívia, de pilhagem desenfreada de suas riquezas, choca-se com a resistência corajosa dos trabalhadores, dos camponeses, notadamente de suas confederações, a maioria esmagadora do povo e de seu governo legítimo.

O que está em jogo, declarou Evo Morales, "não é somente a unidade da Bolívia, é toda a América do Sul". Ele tem razão. Os trabalhadores, os camponeses, o povo boliviano estão na vanguarda do combate pela soberania, pelos direitos dos trabalhadores e dos povos, inclusive os do povo estadunidense. Seu combate é o combate dos trabalhadores e do povo mexicano pela defesa da empresa nacional de petróleo PEMEX, é o combate dos povos do Peru, do Equador... e de todo o continente.

É o que explica o fato, sem precedentes, de nove presidentes de países da América do Sul, reunidos em 15 de setembro em Santiago no Chile, declararem que apóiam o governo legítimo de Evo Morales contra as atividades que colocavam em questão a soberania e a integridade da nação boliviana.

O povo boliviano, os povos de todo o continente
estão confrontados a enormes perigos

No momento em que bandos paramilitares do prefeito do departamento de Pando (departamento do norte da Bolívia), Leopoldo Fernandez, massacraram uma marcha de camponeses que se dirigiam a um encontro sindical em defesa da nação, provocando trinta mortes, Evo Morales se dirigiu, em 11 de setembro, a todas as organizações e em especial à COB, para estabelecer a mais ampla união em defesa da democracia e da unidade da nação.

A Quarta Internacional faz sua a declaração de La Chispa, grupo simpatizante da Quarta Internacional na Bolívia, que responde com suas palavras ao chamado de Evo Morales:

"A situação que se vê na Bolívia é cada vez mais perigosa. O imperialismo estadunidense, com as oligarquias, está disposto a ir até as últimas conseqüências: 'Se o governo quer a guerra civil, ele a terá', declara o dirigente regionalista de Santa Cruz, Milton Valdez. Dividir nosso território, criar um confronto entre os bolivianos para permitir que nossas riquezas naturais sejam controladas pelas multinacionais. Esse é o objetivo da oligarquia!

No referendo de 10 de agosto, no qual a grande maioria da população boliviana, 67%, disse "sim" a Evo Morales, disse "sim" à unidade da Bolívia, disse "sim" ao processo revolucionário em curso, produto dos combates populares, incluindo os departamentos em que o resultado eleitoral em favor do presidente aumentou muito, mostrou que a população é cada vez mais consciente da política de divisão das oligarquias e que ela está disposta a lutar para defender a unidade de seu país (...).

Apoiamos o governo de Evo Morales na expulsão do embaixador dos Estados Unidos. Apoiamos igualmente a decisão de Chávez fazer a mesma coisa, e nós apoiamos as manifestações dos trabalhadores, dos camponeses e dos jovens que amparam a Bolívia.

O que acontece na Bolívia é crucial para o desenvolvimento da revolução na América Latina. É o confronto entre revolução e contra-revoluçã o que marca a situação no continente (...).

É urgente que nossa central operária boliviana responda ao chamado do governo: "Eu faço um chamado à COB e aos movimentos sociais para a defesa da democracia e da unidade do país".

Sim, a COB deve estar na primeira fileira para derrotar os separatistas. É necessário que a COB, com o governo, e o MAS, com as organizações camponesas e populares, constituam uma frente única para organizar ações concretas e garantir a unidade do país contra as oligarquias e o imperialismo" .


A tarefa mais urgente é construir em todo o continente uma frente única
de partidos operários, de sindicatos e de organizações democráticas
em defesa da soberania e da unidade da Bolívia!

A Quarta Internacional e suas seções, que jamais esconderam suas diferenças em relação aos dirigentes e à política do Partido dos Trabalhadores do Brasil, traz todo seu apoio à posição clara e nítida do Partido dos Trabalhadores que, em 12 de setembro de 2008, declarou sua "inteira solidariedade com o governo de Morales, diante dos atentados realizados por um setor fascista e racista da oposição de direita. O comportamento desse setor da oposição boliviana é claramente separatista e, segundo o governo boliviano, é admitido pelo apoio da embaixada estadunidense. Parece claro que o objetivo é o de provocar o governo para que se reprima os manifestantes de direita, procurando assim dividir as forças armadas e criar um pretexto para a guerra civil.

O governo Morales reafirmou seu objetivo de resolver democraticamente o conflito (...) mas ele foi também muito claro em sua obrigação constitucional de defesa dos cidadãos bolivianos que se viram ameaçados pelo terrorismo fascista.

O Partido dos Trabalhadores, assim como todos os movimentos sociais, partidos e governos progressistas de todo o mundo manifesta seu apoio e sua solidariedade ao governo de Morales, eleito e confirmado pela maioria do povo boliviano".

Essa declaração é um chamado à unidade de todas as organizações da classe operária, dos sindicatos camponeses, das organizações democráticas e populares do Brasil e de todo o continente.

A Quarta Internacional e suas seções respondem a esse chamado dizendo: sim, não existe tarefa mais urgente que o combate conjunto pela defesa da soberania e da integridade da Bolívia, contra a ingerência estadunidense.

A Quarta Internacional e suas seções são e serão parte integrante de todas as iniciativas nesse sentido e fazem um chamado imediato de manifestação diante das embaixadas estadunidenses pelo respeito à soberania e à integridade da nação boliviana.

Ajudem-nos a organizar manifestações em todo o continente!
Apoio incondicional ao povo boliviano e a seu governo legítimo!
Abaixo a ingerência do imperialismo estadunidense!

Secretariado Internacional da Quarta Internacional,
16 de setembro de 2008

As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor




Tá rebocado meu compadre
Como os donos do mundo piraram
Eles já são carrascos e vítimas
Do próprio mecanismo que criaram

O monstro SIST é retado
E tá doido pra transar comigo
E sempre que você dorme de touca
Ele fatura em cima do inimigo

A arapuca está armada
E não adianta de fora protestar
Quando se quer entrar
Num buraco de rato
De rato você tem que transar

Buliram muito com o planeta
E o planeta como um cachorro eu vejo
Se ele já não aguenta mais as pulgas
Se livra delas num sacolejo

Hoje a gente já nem sabe
De que lado estão certos cabeludos
Tipo estereotipado
Se é da direita ou dá traseira
Não se sabe mais lá de que lado

Eu que sou vivo pra cachorro
No que eu estou longe eu tô perto
Se eu não estiver com Deus, meu filho
Eu estou sempre aqui com o olho aberto

A civilização se tornou complicada
Que ficou tão frágil como um computador
Que se uma criança descobrir
O calcanhar de Aquiles
Com um só palito pára o motor

Tem gente que passa a vida inteira
Travando a inútil luta com os galhos
Sem saber que é lá no tronco
Que está o coringa do baralho

Quando eu compus fiz Ouro de Tolo
Uns imbecis me chamaram de profeta do apocalipse
Mas eles só vão entender o que eu falei
No esperado dia do eclipse

Acredite que eu não tenho nada a ver
Com a linha evolutiva da Música Popular Brasileira
A única linha que eu conheça
É a linha de empinar uma bandeira

Eu já passei por todas as religiões
Filosofias, políticas e lutas
Aos 11 anos de idade eu já desconfiava
Da verdade absoluta

Raul Seixas e Raulzito
Sempre foram o mesmo homem
Mas pra aprender o jogo dos ratos
Transou com Deus e com o lobisomem

É o progresso

Autor: Thiago Santana

E em edificantes obras, se vai
o resto de floresta
aqui jaz a mata atlântica
que nos resta
uma pequena parte de ar puro
no meio do muro
que nos cerca e sufoca em meio a carros
e verticalizações urbanas
começamos com alphaville e depois
le parc, Manhattan square, brisas
o que sera da paralela?
somente lembrança do verde e a falta de ar que nos espera
congestionamento sem fim
chegou a nova era

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Aqui jaz o Rio dos Seixos


Aqui, sob mim, onde finco meus pés secos
Jaz, silenciosamente, o extinto Rio dos Seixos
Sepultado entre largas placas de concreto

Corria como correm alguns outros, mirradamente
Já sem afluentes, sem a mata ciliar
Sem margens e quase sem vida

Era como intruso - água corrente entre asfalto duro
Tingindo de descaso a burguesia da Bahia
Era mais um dos tristes cartões-postais expostos

Tentavam, acanhadamente, despoluí-lo
Devolver-lhe a dignidade e a pureza primitiva
Mesmo que de forma miúda e pouco efetiva

Acontece que acontece, chegou o período eleitoral
E o caro Prefeito
Resolve fechar o mandato com essa obra iníqua

A fim de se reeleger, destinou R$ 28,5 milhões
Para sanar o problema da drenagem das águas pluviais
Que afetava a população da Avenida Centenário
.
O que seria um dos slogans de sua rica campanha
Mostra-se como trágico crime contra o meio ambiente
Exemplo de demência, falta de consciência...
.
E sem concorrência ou licenciamento ambiental
Contratou sua amiga-empresa para tapar o Rio
Para cobri-lo com praças, parquinhos e ciclovias
.
Teve o cuida de manter, pelo menos, as árvores
Senão seria gigantesco o alarde e ainda mais covarde
Iriam chamá-lo de monstro e destruidor da Natureza
.
Alguém protestou? O acomodado não se incomoda
Acha bacana levar o cachorro para defecar na grama
Acha bonito ver a obra pública não se estender "ad infinitum"
.
Parte dos ambientalistas está enlouquecida
Pois ali corria vida, havia alguns peixes e pássaros
Além do fato de terem aberto outro precedente bizarro

E o Ministério Público? Diz que vai tomar providências
Irá questionar a ausência de laudos e relatórios e etc
Quando o túmulo já foi concluído e logo será inaugurado

Agora o Rio dos Seixos virou o rio zumbi
A minguar num túnel escuro e lodoso
Vítima impotente de mais um golpe humano