A sensação
A sensação
A sensação
Essa benção
Essa bessa
Essa bessa
Essa bessa
Extra-versa
E samba sã
E samba sã
E samba sã
E dança são
Está massa
Está massa
Está massa
Esta maçã
Do sambassim
Do sambassim
Do sambassim
Dissonante
Deixa estar
Deixa estar
Deixa estar
Iça-içar
Pra que razão
Pra que razão
Pra que razão
Pra essa pressa
Venta venta venta
Venta venta venta
Venta venta venta
Sai tão depressa
Mais há de ser
Mais há de ser
Mais há de ser
De bom benzer
De céu ou sul
De céu ou sul
De céu ou sul
Do sol ouço
É som de sorte
É som de sorte
É som de sorte
E salve salve
Em só em si
Em só em si
Em só em si
Pirlimpimpim
Vem saravá
Vem saravá
Vem saravá
Logo dragar
terça-feira, 29 de abril de 2008
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Som do alvorecer

O flautista flerta com a flauta
Encaixa sua boca na boca dela
A conduz por entre as mesas
Como se fora uma graciosa dama
Segue soprando-a de olhos fechados
Os dois num beijo interminável
E a melodia que a flauta transversa
Enamora os demais casais do baile
O flautista tornou-se passarinho
A flauta deixou-se passarinhar
Formam uma simbiose inigualável
O homem faz amor com a máquina
Cada nota leva em si um tanto de mel
O flauteado musica as vivas áureas
Que aderem a este adocicado enlace
Do flautista e sua flauta mágica
Encaixa sua boca na boca dela
A conduz por entre as mesas
Como se fora uma graciosa dama
Segue soprando-a de olhos fechados
Os dois num beijo interminável
E a melodia que a flauta transversa
Enamora os demais casais do baile
O flautista tornou-se passarinho
A flauta deixou-se passarinhar
Formam uma simbiose inigualável
O homem faz amor com a máquina
Cada nota leva em si um tanto de mel
O flauteado musica as vivas áureas
Que aderem a este adocicado enlace
Do flautista e sua flauta mágica
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Meu jeito
Quando contemplo faço poema
Em meu pensamento
Sinto as nuances
O movimento
A analogia
O cheiro
O som
A dor
O ar
E
Somo
Enriqueço
Racionalizo
Busco expandir
Mudar os conceitos
Encontrar minha maneira
Atravesso idéias até ressoar
Tocar-me, de modo espontâneo
Ficar inteligível, harmônio, bonito
Em meu pensamento
Sinto as nuances
O movimento
A analogia
O cheiro
O som
A dor
O ar
E
Somo
Enriqueço
Racionalizo
Busco expandir
Mudar os conceitos
Encontrar minha maneira
Atravesso idéias até ressoar
Tocar-me, de modo espontâneo
Ficar inteligível, harmônio, bonito
Tanto faz
O cão se abriga sob o carro
O pombo domina a fachada
O esgoto é habitat do rato
Não sei dos peixes
Existem peixes nas cidades?
Há vermes em todos
Onde está o homem?
Atrás das grades, dos muros
No alto, bastante alto
Fugindo dele
De si e dos outros
Homem, homem do homem
Homem do resto do mundo
Não chame um homem de animal
Será um desrespeito com os bichos
Não o chame de monstro, soará fantasioso
Os parasitas não têm sua maldade
O demônio não tem seu poder de destruição
Simplesmente Homem, com “h” maiúsculo
Como ele gosta de ser chamado
Como um ser grande, temível
E tenha medo mesmo, inclusive de mim
Tenha medo de você
Carregamos o mesmo caos interior
Venha da vida passada
Ou venha da herança genética
O Homem é Homem (mau, nocivo, egoísta)
E não há possibilidade de cura
Cairemos no Apocalipse
No extermínio do planeta
Cedo ou tarde
E àquele que sobrar, eu digo:
Se mate!
O pombo domina a fachada
O esgoto é habitat do rato
Não sei dos peixes
Existem peixes nas cidades?
Há vermes em todos
Onde está o homem?
Atrás das grades, dos muros
No alto, bastante alto
Fugindo dele
De si e dos outros
Homem, homem do homem
Homem do resto do mundo
Não chame um homem de animal
Será um desrespeito com os bichos
Não o chame de monstro, soará fantasioso
Os parasitas não têm sua maldade
O demônio não tem seu poder de destruição
Simplesmente Homem, com “h” maiúsculo
Como ele gosta de ser chamado
Como um ser grande, temível
E tenha medo mesmo, inclusive de mim
Tenha medo de você
Carregamos o mesmo caos interior
Venha da vida passada
Ou venha da herança genética
O Homem é Homem (mau, nocivo, egoísta)
E não há possibilidade de cura
Cairemos no Apocalipse
No extermínio do planeta
Cedo ou tarde
E àquele que sobrar, eu digo:
Se mate!
Bexiga cheia
A luminosidade do banheiro
Deixa no ar uma divindade momentânea
Foi dia em plena noite
Não estou mais ali
A urina cai no chão
E nem me importo
Mas há um parafuso enferrujado
Torcido
Sobre o reservatório de água
Ele me diz onde estou
Abafa minha onda
Esqueço da paz e me lembro...
Banheiro de chão imundo
No fim do corredor escuro
De um bar na Ondina
Em uma rua sem saída
Descarga
Passo em branco pela pia
Cruzo o vão mal iluminado
Desvio dos engradados vazios
Deparo-me com aquelas figuras
Nada me dizem
Mas a conversa delas deflagra em mim um asco
Como pessoas podem ser tão vazias
Caracóis que sobem por subir
Instinto de carrapato
Já não sei ser povão
O povão me agridi
Pago minha conta
A loira fica de saque
Pena eu não ter certeza sobre seu sexo
Manobro o carro
Deixa no ar uma divindade momentânea
Foi dia em plena noite
Não estou mais ali
A urina cai no chão
E nem me importo
Mas há um parafuso enferrujado
Torcido
Sobre o reservatório de água
Ele me diz onde estou
Abafa minha onda
Esqueço da paz e me lembro...
Banheiro de chão imundo
No fim do corredor escuro
De um bar na Ondina
Em uma rua sem saída
Descarga
Passo em branco pela pia
Cruzo o vão mal iluminado
Desvio dos engradados vazios
Deparo-me com aquelas figuras
Nada me dizem
Mas a conversa delas deflagra em mim um asco
Como pessoas podem ser tão vazias
Caracóis que sobem por subir
Instinto de carrapato
Já não sei ser povão
O povão me agridi
Pago minha conta
A loira fica de saque
Pena eu não ter certeza sobre seu sexo
Manobro o carro
Vivo personagens
Agradei mulheresPela beleza
Quando não tinha conteúdo
Figuras de menor interesse
Doidas para me comer calado
Agrado mulheres
Pela palavra
Quando não tenho aparência
Mulheres de maior interesse
Doidas para me comer em voz alta
Irmãs na sinfonia
São estas duas
Leve no sopro
Segura nas cordas
A voar por instantes
A dedilhar por horas
Sendo eu instrumento
Objeto decorativo
Interlocutor retórico
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Nosferatu
Inversão térmica
Dentes no pescoço
Desmatamento
Vampiriza
Castelo tenebroso
Lava descendo
Senhor do baixio
Onde a rama é mole
Vírus letal
Ditadura Militar
Quer sangue
Fósforo branco
Pai patrão
Agricultura extensiva
Lavagem e açoite
Quem resiste?
Quem enfrenta?
Quem combate?
"Z"
Campus
Sebo
Célula jovem
Instinto de mais
Patuá
Cor viva
Couro de sapo
Coquetel molotov
Mãos em brasa
Sol do meio-dia
Maré enchendo
Vampirizar?
Aqui?
Tá doido?
Dentes no pescoço
Desmatamento
Vampiriza
Castelo tenebroso
Lava descendo
Senhor do baixio
Onde a rama é mole
Vírus letal
Ditadura Militar
Quer sangue
Fósforo branco
Pai patrão
Agricultura extensiva
Lavagem e açoite
Quem resiste?
Quem enfrenta?
Quem combate?
"Z"
Campus
Sebo
Célula jovem
Instinto de mais
Patuá
Cor viva
Couro de sapo
Coquetel molotov
Mãos em brasa
Sol do meio-dia
Maré enchendo
Vampirizar?
Aqui?
Tá doido?
terça-feira, 22 de abril de 2008
houve, há, haverá
Há coisas que não quero ver
Pela força luminosa de seus raios
Sobre minha consciência jovem
Seja luz boa
Seja luz seca
Fico doido, tomado, obsessivo
Preciso curar-me
E a outras luzes me dirigir
Na vã troca de enfoque, pós-choque
Para não cansar as vistas
Afastarei da memória
Aquele acre luminoso que se irradia
É o caso da luz daquela moça
A qual meu sentimento afeiçoou-se
Refletindo nas atitudes dia-a-dia
Fico rem fico foz fico cheio
Só me resta pensar noutras
De menor afeto e sabor
Esmiuçando qualidades desejáveis
Tentando não querê-la tão exageradamente ...
Outro caso é luz dos olhos daquela criança
Que enfurece meu discernimento e o seu
Opaco, mirando o seu cachimbo sujo
Me devora e o devora
Caio em cheio neste poema
Para trabalhar estas coisas que me consomem
Questões de luz, questões de vida
Acalmo minha manhã luminosa
Celebro com o mundo o ardor da luz
Pela força luminosa de seus raios
Sobre minha consciência jovem
Seja luz boa
Seja luz seca
Fico doido, tomado, obsessivo
Preciso curar-me
E a outras luzes me dirigir
Na vã troca de enfoque, pós-choque
Para não cansar as vistas
Afastarei da memória
Aquele acre luminoso que se irradia
É o caso da luz daquela moça
A qual meu sentimento afeiçoou-se
Refletindo nas atitudes dia-a-dia
Fico rem fico foz fico cheio
Só me resta pensar noutras
De menor afeto e sabor
Esmiuçando qualidades desejáveis
Tentando não querê-la tão exageradamente ...
Outro caso é luz dos olhos daquela criança
Que enfurece meu discernimento e o seu
Opaco, mirando o seu cachimbo sujo
Me devora e o devora
Caio em cheio neste poema
Para trabalhar estas coisas que me consomem
Questões de luz, questões de vida
Acalmo minha manhã luminosa
Celebro com o mundo o ardor da luz
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Virtua
Em casaA pessoa em si
Deseja sair
Do campo das idéias
Conversar um pouco
Ver gente
Aquela gente
Assumi uma identidade
Arrisca-se no mundo
Percorre salas
Ela navega
Virtua
Não tão bem
Reúne-se com
Sem se ver
Sem se tocar?!
Apenas conversar
Apenas extravasar
O querer da ponta dos dedos
Inevitavelmente fala-se sexo
Tudo é sexo
Especialmente em casa
E a palavra vira ato
Fato próprio
Desconexão
Pessoa com medo da rua
Receio da chuva
Do todo perigoso
Melhor ficar a só
A salvo do salto
Da fruição
Pessoas tão boas
Nunca se conhecerão
Realmente
Ao ponto de se reconciliarem
No mínimo se comunicam
Seria ótimo ouvi-lo(a) ler
domingo, 20 de abril de 2008
Ambíguo
duas moedas unidas num elo
De mesma cara
olhando prum lado
De olho no outro
na travessia da rua
Dobrada na esquerda
da direita seguinte
Pegar a mais certa
Égua louca
aquele xoto
Adoro coxa de galinha
bicho fera
De longe a bondade
mais perto é Ante
Onde mora?
Embaixo de um dos copos
Supostamente
sinto cócegas
Som do violino e da rabeca
Frô da caatinga
Relaxar na praia?
verão!
De mesma cara
olhando prum lado
De olho no outro
na travessia da rua
Dobrada na esquerda
da direita seguinte
Pegar a mais certa
Égua louca
aquele xoto
Adoro coxa de galinha
bicho fera
De longe a bondade
mais perto é Ante
Onde mora?
Embaixo de um dos copos
Supostamente
sinto cócegas
Som do violino e da rabeca
Frô da caatinga
Relaxar na praia?
verão!
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Transpor
Um rapaz pede a atenção do ônibusDiz ser flautista
Precisar muito de dinheiro
Precisar pagar o aluguel atrasado
Ser de uma família humilde do interior
Em seguida leva a flauta á boca
E toca belissimamente
Não lembro a música
Sei que era divina
Troca de flauta
Executa outra canção
Bela quão a primeira
A apresentação leva poucos minutos
Sai recolhendo o dinheiro
Duas pessoas o ajudam
Tão sem dinheiro quanto ele
Eu continuo sem nenhum
Infelizmente não posso ajudá-lo
Uma Senhorinha da frente pede que ele toque de novo
O rapaz se alegra e executa outra canção
O ônibus observa atentamente
A flauta é doce e leve
Chegou meu ponto
O flautista desce no mesmo
Não poderia perder a oportunidade de conversar-lhe
Pergunto por que optou pela flauta
Diz ter optado porque seu pai é flautista
Em frente ao Fórum Ruy Barbosa, antes de São Miguel

O viciado me pede 50 centavos
Diz haver perdido o seu vale-transporte
Diz estar voltando de um tratamento dentário
Olho seus dentes escuros, sujos e corroídos pela pedra
Digo estar sem nenhum
Ele me pede 25 ou qualquer 10 centavos
Ratifico minha pão-durice
Diz, manhosamente, não ter como voltar para casa
Então lhe ofereço uma carona
Ele franze a testa, pára, pensa um pouco
Diz morar longe pra caralho, agradece e sai
Aborda um Coroa metros depois
Passam-se 5 minutos, chega a viciada
Adolescente, me chama de irmão
Diz estar grávida e morrendo de fome
Expõe a barriga inchada e cheia de cicatrizes
Digo estar sem nenhum
Ela diz que Deus me dará em dobro
Explico-lhe que não tenho mesmo
Se tivesse daria com satisfação
Pergunto com quantos meses o bebê está
Responde 3, diz ser o segundo
O primeiro ela abortou, pergunto sua idade
Ela responde 16 e corre para abordar uma Senhora
Diz haver perdido o seu vale-transporte
Diz estar voltando de um tratamento dentário
Olho seus dentes escuros, sujos e corroídos pela pedra
Digo estar sem nenhum
Ele me pede 25 ou qualquer 10 centavos
Ratifico minha pão-durice
Diz, manhosamente, não ter como voltar para casa
Então lhe ofereço uma carona
Ele franze a testa, pára, pensa um pouco
Diz morar longe pra caralho, agradece e sai
Aborda um Coroa metros depois
Passam-se 5 minutos, chega a viciada
Adolescente, me chama de irmão
Diz estar grávida e morrendo de fome
Expõe a barriga inchada e cheia de cicatrizes
Digo estar sem nenhum
Ela diz que Deus me dará em dobro
Explico-lhe que não tenho mesmo
Se tivesse daria com satisfação
Pergunto com quantos meses o bebê está
Responde 3, diz ser o segundo
O primeiro ela abortou, pergunto sua idade
Ela responde 16 e corre para abordar uma Senhora
Mediático
Morre a garotinha de classe média
Estrangulada, atirada pela janela
Executada a sangue frio, obra do cão
A sociedade se enfurece, pede justiça
Morre o menino favelado, classe baixa
Alvejado por 12 tiros, por demais medonho
Dívida de drogas, começo e fim prematuro
A sociedade nem tchum, acontece direto
Estamos acostumados a matar o preto
A pisar o pobre, ver sua desgraça e comer
O fodido e sua miséria residem no escuro
Pobreza não ouriça o intere$$e da mídia
Que, por sua vez, não ateia fogo na sociedade
Mas o assassinato da pequenina branquinha
De família abastada e tão indefesa
Tem um ingrediente a mais, é inusitado
Não se vê todo dia pai rico matando filha
Não se vê todo dia jogarem alguém pela janela
No fim das contas, não importa quem morreu
Quem matou, quem será encarcerado
Importa o dinheiro, rio que carrega o mundo
Quanto mais se fala mais se quer ouvir
Quanto mais se tem mais se quer ganhar
E nossa imprensa mostra sua cara suja
Faz desse horror um espetáculo torpe
E faz doutra tropeza algo insignificante
Estrangulada, atirada pela janela
Executada a sangue frio, obra do cão
A sociedade se enfurece, pede justiça
Morre o menino favelado, classe baixa
Alvejado por 12 tiros, por demais medonho
Dívida de drogas, começo e fim prematuro
A sociedade nem tchum, acontece direto
Estamos acostumados a matar o preto
A pisar o pobre, ver sua desgraça e comer
O fodido e sua miséria residem no escuro
Pobreza não ouriça o intere$$e da mídia
Que, por sua vez, não ateia fogo na sociedade
Mas o assassinato da pequenina branquinha
De família abastada e tão indefesa
Tem um ingrediente a mais, é inusitado
Não se vê todo dia pai rico matando filha
Não se vê todo dia jogarem alguém pela janela
No fim das contas, não importa quem morreu
Quem matou, quem será encarcerado
Importa o dinheiro, rio que carrega o mundo
Quanto mais se fala mais se quer ouvir
Quanto mais se tem mais se quer ganhar
E nossa imprensa mostra sua cara suja
Faz desse horror um espetáculo torpe
E faz doutra tropeza algo insignificante
Assim assim, pois pois
Sou típico amante cínico
Apaixono e desapaixono assim
No cair da estrela
No rastro do perfume
No secar do esmalte
Elas exercem domínio sobre mim
E por várias sucumbe meu querer
Numa correnteza infinita
Constantemente desviada
Por outra mais caudalosa
Por outra mais vistosa
E são tantas as belezas encantadas
Desde mariposas até ciganas
Que perco os sentidos, caio de cama
Fantasio o resto de nossa vida
Apaixono-me de forma gigantesca
Vez em quando
Numa lua cheia
Num canto da mata
Quando as feras vão à valsa
Dou a sorte de ser querer duma delas
E fico sob seu comando
Cheira e observa e morde
Moderna agrada ficar por cima
E amo-a durante todo o tempo
Tanto que nem mensuro quanto
Desse jeito tornei-me descarado
Pouco a pouco, beijo a beijo
Metro a metro deixei-me afogar
Na malícia e no prazer do leito
Agora estou novamente apaixonado
Atado pelo peito, em campana
Devasso, apaixonado
Mas esta não irá tão cedo
Possui um segredo, um relicário
Apaixono e desapaixono assim
No cair da estrela
No rastro do perfume
No secar do esmalte
Elas exercem domínio sobre mim
E por várias sucumbe meu querer
Numa correnteza infinita
Constantemente desviada
Por outra mais caudalosa
Por outra mais vistosa
E são tantas as belezas encantadas
Desde mariposas até ciganas
Que perco os sentidos, caio de cama
Fantasio o resto de nossa vida
Apaixono-me de forma gigantesca
Vez em quando
Numa lua cheia
Num canto da mata
Quando as feras vão à valsa
Dou a sorte de ser querer duma delas
E fico sob seu comando
Cheira e observa e morde
Moderna agrada ficar por cima
E amo-a durante todo o tempo
Tanto que nem mensuro quanto
Desse jeito tornei-me descarado
Pouco a pouco, beijo a beijo
Metro a metro deixei-me afogar
Na malícia e no prazer do leito
Agora estou novamente apaixonado
Atado pelo peito, em campana
Devasso, apaixonado
Mas esta não irá tão cedo
Possui um segredo, um relicário
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Desculpe-me Morena
Um mergulho na piscina,
A princípio inocente,
Conhecer uma linda menina,
De sorriso bem atraente.
Cabelos e olhos negros,
Pele branca e macia,
Uma beleza incomum,
Vinda do interior da bahia.
Jeito meigo, um pouco tímido,
Voz mansa, doce como mel,
Tendo a sua companhia,
Homem mulherengo vira fiel,
Chegando até o ponto,
De pôr no dedo um anel.
Rapaz comprometido, entretanto curioso,
Resistir a ela não é possível,
Tenta segurar a rédea,
Mas seu desejo é visível,
Sabia ele que aquele beijo,
Seria inesquecível.
Mas dessa vez algo triste aconteceu,
A patroa (naquele tempo) descobriu,
O flagrante aconteceu,
Não sei como ela nos viu.
A linda morena que conheci,
Seu coração já machuquei,
Essa não foi minha intenção,
Incômoda é a situação,
Em que a coloquei.
Mágoa, angústia, ansiedade,
Por dentro sensação de vazio,
Sentimento de subtração,
Todo aquele encanto, sumiu.
Me perdoa?
vou tentar!
Por favor,
Não quis te machucar.
Depois do ocorrido,
Mesmo sem tê-la ao meu lado,
Sabia que tudo aquilo,
Não havia de ter acabado,
Um carinho especial por ela,
O meu coração tinha despertado,
Mas não conseguia sentí-lo,
Pois estava bem guardado.
Agora mais nada posso fazer,
E o que irá acontecer,
Só Deus poderá dizer,
Espero que não por linhas tortas,
Para que o percurso seja breve,
Queria poder reencontrá-la,
E deixar que ela me leve.
Toco uma música na viola,
Apenas para recordar,
Do tempo que se passou,
E que não irá voltar,
Mais na frente eu espero,
Um dia novamente te beijar.
Passaram-se 5 anos,
Cada um no seu caminho,
Mal sabia que um dia,
Ainda ficaríamos juntinhos.
Reencontro inesperado,
À tona veio o arrepio,
Um gole na cerveja,
Na barriga sinto frio,
Vontade de abraçá-la,
Tocar seus lábios macios.
Dançamos mais um forró,
Soados de tanto calor,
Recordo-me do nosso primeiro beijo,
Do seu delicioso sabor,
Hoje sou mais maduro,
Aprendi a lhe dar valor.
O senhor do tempo foi generoso,
A beleza da linda morena não esmaeceu,
Lhe dei um beijo bemmm gostoso,
E aquele sentimento reacendeu,
Um cinema logo um dia depois,
Foi o que aconteceu.
Colocamos os assuntos em dia,
Nos beijamos no escuro,
No cine a sala vazia,
No seu abraço sinto-me seguro.
Neste momento, paro, penso,
Na cabeça só asneira,
O que ela deve ta pensando!?
Gostou de ser minha companheira?
Será que fui bem?
Ou só falei besteira?
Um dia após já estou escrevendo,
Parece-me papel de babaca,
Só quero pôr pra fora,
Emaranhar-me nos meus versos,
Já que hoje, nenhum telefonema,
O jeito é ficar lembrando,
Daquele dia no cinema,
Mais uma vez te peço,
Desculpe-me morena!
(Caio Mattos)
A princípio inocente,
Conhecer uma linda menina,
De sorriso bem atraente.
Cabelos e olhos negros,
Pele branca e macia,
Uma beleza incomum,
Vinda do interior da bahia.
Jeito meigo, um pouco tímido,
Voz mansa, doce como mel,
Tendo a sua companhia,
Homem mulherengo vira fiel,
Chegando até o ponto,
De pôr no dedo um anel.
Rapaz comprometido, entretanto curioso,
Resistir a ela não é possível,
Tenta segurar a rédea,
Mas seu desejo é visível,
Sabia ele que aquele beijo,
Seria inesquecível.
Mas dessa vez algo triste aconteceu,
A patroa (naquele tempo) descobriu,
O flagrante aconteceu,
Não sei como ela nos viu.
A linda morena que conheci,
Seu coração já machuquei,
Essa não foi minha intenção,
Incômoda é a situação,
Em que a coloquei.
Mágoa, angústia, ansiedade,
Por dentro sensação de vazio,
Sentimento de subtração,
Todo aquele encanto, sumiu.
Me perdoa?
vou tentar!
Por favor,
Não quis te machucar.
Depois do ocorrido,
Mesmo sem tê-la ao meu lado,
Sabia que tudo aquilo,
Não havia de ter acabado,
Um carinho especial por ela,
O meu coração tinha despertado,
Mas não conseguia sentí-lo,
Pois estava bem guardado.
Agora mais nada posso fazer,
E o que irá acontecer,
Só Deus poderá dizer,
Espero que não por linhas tortas,
Para que o percurso seja breve,
Queria poder reencontrá-la,
E deixar que ela me leve.
Toco uma música na viola,
Apenas para recordar,
Do tempo que se passou,
E que não irá voltar,
Mais na frente eu espero,
Um dia novamente te beijar.
Passaram-se 5 anos,
Cada um no seu caminho,
Mal sabia que um dia,
Ainda ficaríamos juntinhos.
Reencontro inesperado,
À tona veio o arrepio,
Um gole na cerveja,
Na barriga sinto frio,
Vontade de abraçá-la,
Tocar seus lábios macios.
Dançamos mais um forró,
Soados de tanto calor,
Recordo-me do nosso primeiro beijo,
Do seu delicioso sabor,
Hoje sou mais maduro,
Aprendi a lhe dar valor.
O senhor do tempo foi generoso,
A beleza da linda morena não esmaeceu,
Lhe dei um beijo bemmm gostoso,
E aquele sentimento reacendeu,
Um cinema logo um dia depois,
Foi o que aconteceu.
Colocamos os assuntos em dia,
Nos beijamos no escuro,
No cine a sala vazia,
No seu abraço sinto-me seguro.
Neste momento, paro, penso,
Na cabeça só asneira,
O que ela deve ta pensando!?
Gostou de ser minha companheira?
Será que fui bem?
Ou só falei besteira?
Um dia após já estou escrevendo,
Parece-me papel de babaca,
Só quero pôr pra fora,
Emaranhar-me nos meus versos,
Já que hoje, nenhum telefonema,
O jeito é ficar lembrando,
Daquele dia no cinema,
Mais uma vez te peço,
Desculpe-me morena!
(Caio Mattos)
Pergunto
Tatoo
Esta tatuagem que adorna meu corpo
É uma era reduzida à gravura carnal
Composta pelos dizeres que levarei pela vida
Representando o melhor de mim e do mal
Figura concebida nas dores de um parto
Será sempre fértil em tuas cores vivas
Clareando os caminhos e as decisões
Que a cada dia responderei com boas-vindas
É uma era reduzida à gravura carnal
Composta pelos dizeres que levarei pela vida
Representando o melhor de mim e do mal
Figura concebida nas dores de um parto
Será sempre fértil em tuas cores vivas
Clareando os caminhos e as decisões
Que a cada dia responderei com boas-vindas
Marca da expressão

Está sempre a sorrir
Sorriso sob o nariz arrebitado
Nem mais nem menos
Uma boneca, um convite
Sorriso sob o nariz arrebitado
Nem mais nem menos
Uma boneca, um convite
Sorriso que impressiona
Me segura feito mordida
Ato constante, característico
Mesmo manobrando o carro
Gostaria de tê-la
Companheira ou concubina
Sua energia far-me-ia florear
Seu sorriso faz-me seu
Imagino-a se despindo e sorrindo
Olhando e sorrindo
Transando e sorrindo
Sorririamos juntos
Não haveria melhor companhia
Sorrisos para os dias
Equação da paz interior
Boca milagrosa
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Arvoredo

Estamos perdidos
E somos poucos
O que parece ruim
É ruim
Mas achamos ótimo
Trilhar a busca
Autoconhecer-se
Cheios de referências
Sem objetivos
Repletos de não-querer
Tem alguém aí?
Pergunto-me eu
Pergunta-se um amigo
Estamos perdidos
Mas temos a busca
Transpor o oceano
Galgar o cume
Pular, afogar, nascer de novo
Apenas começamos
E começar é difícil
Ainda mais quando só
Por dentro
Estômago de galinha
Sem saber, temendo, querendo
Não somos perdidos
Estamos, estivemos
É o princípio
É importante estar perdido
Daqui partiremos
Olhos arregalados
Mãos suadas
Onde? Onde?
Chegaremos
Nem quando nem como
Perdidos
Estaremos lá
E somos poucos
O que parece ruim
É ruim
Mas achamos ótimo
Trilhar a busca
Autoconhecer-se
Cheios de referências
Sem objetivos
Repletos de não-querer
Tem alguém aí?
Pergunto-me eu
Pergunta-se um amigo
Estamos perdidos
Mas temos a busca
Transpor o oceano
Galgar o cume
Pular, afogar, nascer de novo
Apenas começamos
E começar é difícil
Ainda mais quando só
Por dentro
Estômago de galinha
Sem saber, temendo, querendo
Não somos perdidos
Estamos, estivemos
É o princípio
É importante estar perdido
Daqui partiremos
Olhos arregalados
Mãos suadas
Onde? Onde?
Chegaremos
Nem quando nem como
Perdidos
Estaremos lá
APalavra
terça-feira, 15 de abril de 2008
Chapadas dos pulmões

O fogo conversa comigo
Aponta-me o caminho do mato
seco, seco, exíguo
A água conversa comigo
Aponta-me o caminho da cachoeira
bela, bela, abandonada
A terra conversa comigo
Aponta-me o caminho do planalto
vasto, vasto, profundo
O vento conversa comigo
Aponta-me o caminho da nuvem
Leve, leve, celeste
O homem conversa comigo
Aponta-me o caminho do ser
amplo, amplo, errado
Meu nome é ventania
Desço das altas nuvens
Passo por trás das cachoeiras
Corto as chapadas e os pulmões
E toco fogo no mato
Bagagem
Se todo espelho fosse dágua
adeus vaidade
adeus vaidade
Se toda luz fosse solar
adeus saudade
Não faltaria nada
a não ser maldade
Se o botequim fechar
é molecagem
Se tomar o instrumento
é sabotagem
Não restará nada
a não ser vadiagem
E no caminho para casa
Vamos sambando
E na porta lá de casa
Vou assobiando
Não resta mais nada
só ela esperando
adeus saudade
Não faltaria nada
a não ser maldade
Se o botequim fechar
é molecagem
Se tomar o instrumento
é sabotagem
Não restará nada
a não ser vadiagem
E no caminho para casa
Vamos sambando
E na porta lá de casa
Vou assobiando
Não resta mais nada
só ela esperando
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Suçuarana

Você é tão mais bonito quando dorme
De bruços, tomando conta da cama
Dando as mãos como bailarino russo
Tranqüilo, resignado em seu recato
Sussurra sua ciranda e me embala te olhar
Esquecido de mim e de todo desgaste
Se me amasse dormindo, nunca o acordaria
Ter-te-ia feito se tem uma flor de lótus
Quieto e quente, respirando meu desejo
Até que seu sono passe calmamente
E me olhe, suçuarana, eu sua presa
Estarei nua e você com cara de platéia
De bruços, tomando conta da cama
Dando as mãos como bailarino russo
Tranqüilo, resignado em seu recato
Sussurra sua ciranda e me embala te olhar
Esquecido de mim e de todo desgaste
Se me amasse dormindo, nunca o acordaria
Ter-te-ia feito se tem uma flor de lótus
Quieto e quente, respirando meu desejo
Até que seu sono passe calmamente
E me olhe, suçuarana, eu sua presa
Estarei nua e você com cara de platéia
Chamada amor
No fundo do âmago
Há uma massa mole
Ardendo
Sob as pressões do dia
Imutável e insolúvel
Erupcia por gêiseres
Canais do afeto
Em resposta
À frustração
Ao sofrimento
À resposta
É núcleo
Hipocentro da vida
Não se apaga
Esvaísse aos poucos
Mas não finda
Acinzenta e rarefaz
Ainda há
Exercendo influência
Lenta e contínua
Atraindo-nos
Estremecendo-nos
Uns aos outros
Para que cresça
Reproduza
Amor chama do amor
Há uma massa mole
Ardendo
Sob as pressões do dia
Imutável e insolúvel
Erupcia por gêiseres
Canais do afeto
Em resposta
À frustração
Ao sofrimento
À resposta
É núcleo
Hipocentro da vida
Não se apaga
Esvaísse aos poucos
Mas não finda
Acinzenta e rarefaz
Ainda há
Exercendo influência
Lenta e contínua
Atraindo-nos
Estremecendo-nos
Uns aos outros
Para que cresça
Reproduza
Amor chama do amor
contraste armado

)A Oscar Niemeyer(
A vida é um sopro
Não é meu Mestre?
E quantas obras são feitas
No correr desse vento
Filhos, cidades, universidades
Caminho coberto de inventos
Solto no ar da tempestade
Raiou, luziu, pensou
Aureado pela leveza da arte
Beleza do povo que a observa
Arquitetura, comuna, cultura
Desenha e segreda a imortalidade
Pois é meu velho
Você que sopra imaginação
Receba o sopro deste aplauso
Não é meu Mestre?
E quantas obras são feitas
No correr desse vento
Filhos, cidades, universidades
Caminho coberto de inventos
Solto no ar da tempestade
Raiou, luziu, pensou
Aureado pela leveza da arte
Beleza do povo que a observa
Arquitetura, comuna, cultura
Desenha e segreda a imortalidade
Pois é meu velho
Você que sopra imaginação
Receba o sopro deste aplauso
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Preconceito cego
Em minha rua morava João
Era cego de nascença
Por isso desenvolveu desde cedo a audição
Surpreendia a todos com sua habilidade
Reconhecia o ônibus pelo som do freio
Reconhecia os carros pelo som do motor
Nunca errava, era impressionante
Além disso, era muito simpático
Extrovertido, era um ícone para garotada
Adorava conversar sobre futebol
E nós adorávamos explicar-lhe os lances
O modo como o pé bateu na bola
As jogadas que originaram os gols do Vitória
Ele se amarrava quando armávamos um baba
Morria de rir enquanto jogávamos
Participava ao seu modo
Demonstrava uma pureza até então desconhecida
Certa feita, não lembro exatamente a ocasião
Alguém comentou:
João é mais preto do que eu!
E João, instantaneamente, retrucou:
Eu não sou preto não! Eu sou branco!
A sua resposta fez com que ríssemos sem parar
Pensamos: esse cego é doido! Branco?!
E ele reiteirou sua afirmação, convicto
Fiquei pasmo, porque ele era negro
Filho de negros, sua avó era negra
E também pelo fato dele ser cego
Perguntei-me:
Que tipo de comentário é este?
Ele não sabia sua cor?
Não se aceitava negro?
O que ser negro representava para ele?
Alguém iludia o garoto cego?
Passados alguns dias, aquilo ainda me ocupava
João pensa ser branco!
Então tive uma idéia da origem do seu engano
Para João, deveria ser suficientemente difícil ser cego
Sofria discriminação, privações e limitações demais
Preferia, então, pensar ser branco
Já que estes, em sua cabeça,
São vistos com bons olhos
Era cego de nascença
Por isso desenvolveu desde cedo a audição
Surpreendia a todos com sua habilidade
Reconhecia o ônibus pelo som do freio
Reconhecia os carros pelo som do motor
Nunca errava, era impressionante
Além disso, era muito simpático
Extrovertido, era um ícone para garotada
Adorava conversar sobre futebol
E nós adorávamos explicar-lhe os lances
O modo como o pé bateu na bola
As jogadas que originaram os gols do Vitória
Ele se amarrava quando armávamos um baba
Morria de rir enquanto jogávamos
Participava ao seu modo
Demonstrava uma pureza até então desconhecida
Certa feita, não lembro exatamente a ocasião
Alguém comentou:
João é mais preto do que eu!
E João, instantaneamente, retrucou:
Eu não sou preto não! Eu sou branco!
A sua resposta fez com que ríssemos sem parar
Pensamos: esse cego é doido! Branco?!
E ele reiteirou sua afirmação, convicto
Fiquei pasmo, porque ele era negro
Filho de negros, sua avó era negra
E também pelo fato dele ser cego
Perguntei-me:
Que tipo de comentário é este?
Ele não sabia sua cor?
Não se aceitava negro?
O que ser negro representava para ele?
Alguém iludia o garoto cego?
Passados alguns dias, aquilo ainda me ocupava
João pensa ser branco!
Então tive uma idéia da origem do seu engano
Para João, deveria ser suficientemente difícil ser cego
Sofria discriminação, privações e limitações demais
Preferia, então, pensar ser branco
Já que estes, em sua cabeça,
São vistos com bons olhos
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Noção
Nosso pão,
Vossos pães!
Nossa mão,
Vossas mães!
Ópio e união,
Opiniões!
Casarão,
Caça rãs!
Ser mão,
Sermões!
Caminhão,
Caminho és
do caminhoneiro
no canto inteiro.
(pablo arruti)
Vossos pães!
Nossa mão,
Vossas mães!
Ópio e união,
Opiniões!
Casarão,
Caça rãs!
Ser mão,
Sermões!
Caminhão,
Caminho és
do caminhoneiro
no canto inteiro.
(pablo arruti)
Fiz
Respondo ao nada
Nada faça
Nada digo
Pergunto-me
O que faço
Faço arte
Faço vício
Fazer dinheiro
Faço nada
Faço caso
Feito filho
Fico feito
Faço farsa
Faço tempo
Fico alegre
Faço fim
Faço meio
Faço nada
Faço verso
Nada faça
Nada digo
Pergunto-me
O que faço
Faço arte
Faço vício
Fazer dinheiro
Faço nada
Faço caso
Feito filho
Fico feito
Faço farsa
Faço tempo
Fico alegre
Faço fim
Faço meio
Faço nada
Faço verso
Sol corrosivo

Da busca diária da água
No mês de dezembro
Gente muito humilde
Acompanhada de um jegue
Caminha à margem da estrada
Moringa na cabeça da mãe
Barris no lombo no animal
Garrafas nas mãos do menino
Panela nas braçinhos da filha
Água salobra
Que seca a boca
Água barrenta
Suja e fedorenta
A galinha bebe a água do ovo
Bebe o gato, o cão, o porco
O passarinho molha seu canto
A muda de laranja irriga as folhas
Lava-se a roupa coberta de pó
Prepara-se o alimento do dia
Toma-se banho antes de dormir
Mais forte que a seca
É a sede da caatinga
Que não respeita cor, gosto, cheiro, distância...
No mês de dezembro
Gente muito humilde
Acompanhada de um jegue
Caminha à margem da estrada
Moringa na cabeça da mãe
Barris no lombo no animal
Garrafas nas mãos do menino
Panela nas braçinhos da filha
Água salobra
Que seca a boca
Água barrenta
Suja e fedorenta
A galinha bebe a água do ovo
Bebe o gato, o cão, o porco
O passarinho molha seu canto
A muda de laranja irriga as folhas
Lava-se a roupa coberta de pó
Prepara-se o alimento do dia
Toma-se banho antes de dormir
Mais forte que a seca
É a sede da caatinga
Que não respeita cor, gosto, cheiro, distância...
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