sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009


Por que tá escondendo essas roupas, minha mãe?

Por que a pressa, minha mãe?
.
Por que o nervoso, meu pai?

Por que aqueles moços tão nos seguindo, meus pais?

Por que vocês seguram meus pais, moços?

Por que não soltam meus pais, moços?

Não tão vendo que minha mãe tá grávida?

Por que não manda eles pararem, meu pai?

Por que chora, minha mãe?

Não chore minha mãe!

Pra onde vamos nesse carro, minha mãe?

Pra onde levaram meu pai?

Tragam meu pai de volta!

Que lugar é esse, minha mãe?

Por que colocaram meu pai no chão?

Por que gritam com você, minha mãe?
.
Por que brigam com meu pai?

Quem é essa moça, minha mãe?

Por que chora tanto, minha mãe?

Por que meu pai resmunga, minha mãe?

Pra onde tão levando meu pai?

Tragam meu pai!

Não levem minha mãe!

Pra onde tão levando minha mãe?
.
Tragam minha mãe, por favor!

Pra onde tá me levando, moça?

Solte meu braço, moça!

Essa não é minha casa, moça!

Você não é minha mãe, moça!

Onde tão meus irmãos?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Você pode dialogar com Maffesoli

Formule uma questão para que ele responda durante a aula inaugural da UFBA cujo tema será "O Reencantamento da Universidade" em 02.03.2009 às 9h no Salão Nobre da Reitoria da UFBA com transmissão direta on-line pela Internet.

Envie sua pergunta para maffesoli@ufba.br

O sociólogo francês Michel Maffesoli é Professor Titular da Universidade René Descartes (Sorbonne, Paris V), onde dirige o Centro de Estudos sobre o Atual e o Cotidiano e o Centro de Pesquisas sobre o Imaginário. Editor da revista Sociétés, Maffesoli é autor de vasta obra publicada em diversos idiomas, inclusive o português. Os mais recentes são: O ritmo da vida: variações sobre o imaginário pós-moderno (Record 2007); Entre o Bem e o Mal (Instituto Piaget 2006); Elogio da Razão Sensível (Vozes 2005 ); A Transfiguração do Político (Instituto Piaget 2004); O Tempo das tribos ou o declínio do individualismo na sociedade de massas (Forense 2004).

O pensador tem se interessado pela contemporaneidade, de modo crítico e criativo, valorizando questões pouco consideradas por muitos de seus colegas, como a teatralização da vida cotidiana, o narcisismo de grupo (ou o novo tribalismo), o cotidiano, o conhecimento comum, o nomadismo e o vitalismo, sem temer em usar a expressão pós-modernidade, para tratar do fracasso dos grandes sistemas explicativos do mundo, da vida e do homem, defendendo uma sociologia relativista e compreensiva.

Os estudantes interessados em dialogar com o professor Michel Maffesoli, sobre um dos temas de sua obra, durante a aula inaugural do ano letivo da UFBA, em 2 de março de 2009, no Salão Nobre da Reitoria da UFBA, a partir das 9h, podem encaminhar uma questão para lhe ser dirigida (texto justificado em times new roman 12, interlinha 1,5, com o máximo de 10 linhas). As cinco melhores serão selecionadas para que seus autores participem do debate que será realizado logo após a conferência de Michel Maffesoli.

Programação

Apresentação conjunta do Madrigal da Escola de Música (Regente – Leandro Gazineu) e do Coral Vozes Reveladas da Escola de Dança - UFBA (Regente – Prof. Sérgio Souto).
Abertura da cerimônia pelo Magnífico Reitor Naomar Almeida Filho.
Apresentação do Professor Convidado pelo Prof. Armindo Bião (UFBA, Erasmus Mundus).
Aula magistral – O reencantamento da Universidade – Michel Maffesoli (Université René Descartes Paris V). Tradução do Prof. Armindo Bião.
Debate com cinco alunos da UFBA.
Encerramento da cerimônia pelo Magnífico Reitor.

Mestre de Cerimônia: Prof. Sérgio Farias (UFBA, CRILUS Paris Ouest Nanterre La Défense ).

Apoio: TV UFBA; CPD-UFBA; NUTS-Complexo HUPES e RNP-RUTE.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


Fotografia: Mariana David http://www.flickr.com/photos/marianadavid/


Serás que me olhas
Me apertas
Me incitas?

Qual serás
A esfinge do teu desejo
Dos teus olhos
A conquista?

Qual serias meu interesse
Rápido
Qual serias?

Serias outro
Não fosse este
Serias louco
Se serias!

Como foi criada a vagina

Mário Quintana

Sete bons homens de fino saber
Criaram a vagina, como pode se ver:

Chegando na frente, veio um açougueiro
Com faca afiada deu talho certeiro

Um bom marceneiro, com dedicação
Fez furo no centro com malho e formão

Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno
Forrou com veludo o lado interno

Um bom caçador, chegando na hora
Forrou com raposa, a parte de fora

Em quinto chegou, sagaz pescador
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor

Em sexto, o bom padre da igreja daqui
Benzeu-a dizendo: 'É só pra xixi!'

Por fim o marujo, zarolho e perneta
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a...Buceta!

Lá vem


O projeto "Sua Nota é um Show" dá início a sua nova edição com o cantor francês, filho de pai galego e mãe basca, e que apresenta seu último álbum, La Radiolina, uma mistura de reggae, hip hop, música caribenha, flamenco e bolero, além da influência roqueira do Clash, que está presente em seus trabalhos desde o tempo em que ele cantava no grupo Mano Negra.

Manu Chao, que já esteve no sertão do Ceará e morou no mangue do Recife, canta em inglês, francês e espanhol, é acompanhado pelos músicos David Bourguignon (bateria), Gambeat (baixo), Madjid (guitarra), Garbance (percussão), Julio Lobos (teclados) e Ângelo.
Dia 13/02 - Sexta
Horário: 18h30
Preço: a confirmar - $$$$
Ladeira da Fonte - s/n°
Campo Grande
Fone: 3535-0600

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009



Me rendo
Após os poemas
Seguidos de silêncio

Rendo-me à poesia
Pano das noites caladas
Bilro confesso

Rendo palavras
Encarnando-as de força
Noando-as - desmanchar de fantasias

Rendo
Remoções
Me remendo

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Magistrado profere decisão em forma de verso

Fonte: um e-mail desses!

O Juiz de Direito Afif Jorge Simões Neto, da 2ª Turma Recursal Cível, proferiu voto em forma de verso, em julgamento realizado na manhã dessa quarta-feira (21/1). A ação, que tramitou perante o Juizado Especial Cível da Comarca de Santana do Livramento, trata de pedido de indenização por dano moral.

O autor da ação, patrão do CTG Presilha do Pago, afirmou ter sido ofendido em sua honra pessoal durante pronunciamento feito por Conselheiro Fiscal da 18ª Região Tradicionalista durante o uso da tribuna livre da Câmara de Vereadores. O ofensor teria dito que o Patrão não prestava conta das verbas públicas recebidas para a realização de eventos. Salientou que as afirmações foram publicadas também no jornal local A Platéia. O réu negou as ofensas.

A decisão no Juizado Especial Cível de Livramento condenou o Conselheiro ao pagamento de R$ 1,5 mil. Houve recurso à Turma Recursal. Para o relator, a ofensa não aconteceu (veja integra do voto abaixo). Os Juízes Eduardo Kraemer e a Leila Vani Pandolfo Machado acompanharam o voto do relator, reformando a decisão de 1º Grau para negar o pedido de indenização.

"Este é mais um processo
Daqueles de dano moral
O autor se diz ofendido
Na Câmara e no jornal.

Tem até CD nos autos
Que ouvi bem devagar
E não encontrei a calúnia
Nas palavras do Wilmar.

Numa festa sem fronteiras
Teve início a brigantina
Tudo porque não dançou
O Rincão da Carolina.

Já tinha visto falar
Do Grupo da Pitangueira
Dançam chula com a lança
Ou até cobra cruzeira.

Houve ato de repúdio
E o réu falou sem rabisco
Criticando da tribuna
O jeitão do Rui Francisco

Que o autor não presta conta
Nunca disse o demandado
Errou feio o jornalista
Ao inventar o fraseado.

Julgar briga de patrão
É coisa que não me apraza
O que me preocupa, isso sim
São as bombas lá em Gaza.

Ausente a prova do fato
Reformo a sentença guerreada
Rogando aos nobres colegas
Que me acompanhem na estrada.

Sem culpa no proceder
Não condeno um inocente
Pois todo o mal que se faz
Um dia volta pra gente.

E fica aqui um pedido
Lançado nos estertores
Que a paz volte ao seu trilho
Na terra do velho Flores."

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Andarilho I

Poeta Saulo Silva

Olha o tempo
Nem chuva, nem sol
Olha a vida
A sede, as feridas
Olha a magia
Todo instante é dia
Nascer e morrer
Atreva-se a viver
Transforme o tédio
Em alegria...
Esqueça o irrelevante
Deixe a melancolia
Suba naquela arvore
Tente novamente...
Mais tarde
Será tudo mais lentamente
Por isso cante
Depois plante
A terra e a semente
Serão suas amigas
Grite o mais alto
Não pare e pare
Escute o silêncio
E seus passos
Andarilho do cotidiano
Corredor do asfalto!!!

Ao meu pai


Não amo porque quero
Amo porque amo
E porque reflito
E sinto os olhares que ninguém sabe dizer

Mas não porque quero
Ou espero
Mas sim, porque vejo
E sinto os corpos que dizem sem saber

Amo a única certeza
Por que amar?
Por que parir?
Senão
Para dizer de olhos sinceros a emoção terna de sentir

Amo com afeto
E todo ele vai além de mim
Pois se não for o amar
Qual será a verdadeira razão de existir?
Encontro com gente, converso, falo de poesia. Outro dia encontrei Edinho Gouveia - poeta, fizemos um poema e agendamos o quebra-pote do quebra-bunda!

Leio a pilha de lixo
entre os dedos dos pés
deitado em uma cama de hospício
enxergo títulos de autores mal-vistos
Wilhelm Reich, Allan Poe, Baudelaire,
Paulo Garcez de Sena, Carlos Anísio Melhor,
Ametista Nunes...

xxxxxxxxxxxxxxxx

Poemas de Edinho Gouveia

"Derby e Hollywood"

estava tão solitário
que acendi dois cigarros
pra me fazer companhia

"Num bar de madrugada"

dois rapazes no banheiro masculino
um rapaz no banheiro feminino
será que algúm deles é viado
talvez, mas na história real
dois deles estavam cheirando pó
e um cansou de achar ocupado

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Poetiza Maria Cecília e poetiza...

Mergulha nesse mar de letras
e faz-se homem!
Inacabado é teu ser...
Mergulha neste livro aberto, nesse mar repleto, nesse mar imenso
Imenso conhecimento!
Contempla esse mar esverdeado
Lê o teu livro calado
pois em harmonia estão seus pensamentos
e os ventos desse mar sedento
sedento de leitores como ti, de poetas como ti...
Põe-se o sol dos teus olhos
e vive só de ler
e fim!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mahatma Gandhi

Fonte: Loro Doido

Quem deserta das coisas materiais mostra boa vontade- mas não prova verdadeira compreensão.
Por que foge?
Por que deserta?
Porque se sente fraco e receia cair; mas o temor é escravizante.
Plenamente liberto e livre é somente o homem que, depois de se consolidar definitivamente no mundo espiritual, volta ao mundo material sem se materializar; o seu reino não é daqui, mas ele ainda trabalha aqui, como se fosse o mais profano dos profanos.
Somente um homem plenamente espiritual pode admitir aparências de materialidade sem desmentir a sua espiritualidade.
De um homem que nada espera do mundo, tudo pode o mundo esperar.

Agonia - Poeta: Kleuber Medeiros


Eckenberger


E dá uma agonia!
Vezes de noite,
Noutras de dia
Não se sabe como seria
Senão, agonia
Tão constante
Sonele companhia
Desquite?
Emerge em prosa, poesia
Porém, insolente, egoísta
Hipocrisia...
Não fosse eternamente
Verdadeiramente, demagogia!
a poesia
me faz amar a dor

maldita!

Wilhelm Reich






Trecho extraído do seu livro "Escute, Zé-ninguém!":


E para os ditadores e tiranos, os astuciosos e malévolos, os abutres e hienas, protesto com as palavras de um antigo sábio:


Plantei neste mundo o estandarte de palavras sagradas.
Muito depois de estar murcha a palmeira
e de se ter esfarelado a rocha;
muito depois de monarcas deslumbrantes
terem desaparecido como o pó de folhas secas,
mil arcas levarão minha palavra
pelos dilúvios afora:
Ela prevalecerá.

Poesia de Pobre

Fonte: um e-mail desses!!!

Uma obra prima da poesia brasileira, composta por uma aluna do Colégio Bom Conselho (Fortaleza-CE).

Pássaro de rico é canário,
pássaro de pobre é urubu,
rabo de rico é ânus,
e rabo de pobre é cú.

Moça rica é bacana,
moça pobre é xereta,
a periquita da rica é vagina,
a da pobre é buceta.

Rico correndo é atleta,
pobre correndo é ladrão,
ovo do rico é testículo,
e do pobre é culhão.

A esperança do rico vem,
a do pobre já se foi,
a filha do rico menstrua,
a do pobre fica de boi.

O rico usa bengala,
o pobre usa muleta,
o rico se masturba,
o pobre bate punheta.

Mas a vida é assim mesmo,
seja no norte ou no sul,
o rico toma champanhe
e o pobre toma no cú.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Êêê melancolia arruinada...

Lamento Sertanejo

Composição: Dominguinhos / Gilberto Gil

Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga e do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado

Por ser de lá
Na certa, por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão, boiada caminhando à esmo

Falando de Eu...

Sem título

Composição: Folclore Baiano

Eu sou uma fruta gogoia
Eu sou uma moça
Eu sou calunga de louça
Eu sou uma jóia

Eu sou a chuva que molha
Que refresca bem
Eu sou o balanço do trem
Carreira de Tróia

Eu sou a tirana bóia
Eu sou o mar
Samba que eu ensaiar
Mestre não olha

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009


(foto: Mariva Tomé)
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/
Meus eus, cansados de mim,
Acertam um encontro

Desejam conversar, auscultar os pensamentos
E entender por que o ser de fora
Não corresponde aos eus de dentro
.
E resolvem formar uma roda
Voltam-se para o centro, apesar de um eu voltar-se para fora
Mas antes de iniciarem a discussão
O Anarquista implica: Eu me oponho ao referendo!
.
“Bem mal começamos e apareça a pomba da discórdia!”
Observa o Nojento, enquanto outros indagam:
Não é possível...
Assim não dá...
Quem ele pensa que é...

As vozes se intercalam
A palestra ganha ares de zona de guerra – reunião de condomínio
Ninguém pede silêncio, nem mesmo aparentam quer
Apenas um eu assiste à turba calado

Você pra cá, você pra lá...
E velhas amizades afloram rapidamente
Ao passo que inimizades agudas logo se aprofundam
E nisso a roda já está desfeita
E já se vão formando pequenos grupos

Minhas meninas, coitadas, correm para um canto
Meus guris irrequietos dão as mãos
Um eu adormece em resignação
O Velho descansa a cabeça sobre a bengala
Seus olhos vidrados refletem, tão somente, amores encarcerados
...

Foi-se o clima cordial, o desejo de auto-conhecimento
Sobram os vários blocos ouriçados contra-atacando
Num inassistível jogo de repetidas palavras
Que não tem fim, que não tem tempo
.
Então
Numa dada hora
Entra o Palhaço - olhos de melancia
Chega decidido a acabar com o furdunso
E distribui a cada eu um balão
E senta no colo daquele que odeia intimidade

Enquanto saboreiam seus balões coloridos
E alisam e trocam e furam e amarram e furtam
Vê-se flutuar um certo eu por detrás dos meus
Que sobe e sobe e fica olhando-os admirados
.
E o Capitalista imediatamente confabula: quem é este que voa sozinho?
Mas que pergunta boba – retruca o Palhaço
Aquele eu é o Poeta, como não o reconhece?
Deixe que vá tranquilo, está sempre a voar e a ver
O que nenhum de nós compreenderia em séculos

domingo, 11 de janeiro de 2009

Nova manifestação em defesa da Palestina

No próximo dia 14, quarta-feira, será realizada uma nova manifestação em solidariedade ao povo Palestino. Será às 10:30 horas , na Av. Tancredo Neves, em Frente às Torres Gêmeas, onde fica a representação diplomática dos Estados Unidos. Terá a participação do Cebrapaz, ACJM-Bahia, deputados e vereadores de vários partidos, representações partidárias, sindicatos, centrais sindicais, movimento estudantil, profissonais liberais, movimento social. Vamos fazer um esforço coletivo para que seja uma grande manifestação.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Noite Severina (Lula Queiroga e Pedro Luís)



Corre calma Severina noite
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Cada ser tem sonhos a sua maneira

Corre alta Severina noite
No ronco da cidade uma janela assim acesa
Eu respiro seu desejo
Chama no pavio da lamparina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Sombra no lençol que tateia a pele fina

Ali tão sempre perto e não me vendo
Ali sinto tua alma flutuar do corpo
Teus olhos se movendo sem se abrir

Ali tão certo e justo e só te sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir

Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar
Esclarecimento: escrevo com certa frequência e frequentemente encontro escritos esquecidos. Segue outro!


Comemora
Se vê fartura a tua frente
- Vê usura
Se sente tanta felicidade
- Sente necessidade
Se bebe o imo do fruto
- Bebe tudo

Ri teu riso sobre o abismo

Nega a dor
A dor venérea

E ama teus homens sem paixões
Sem canhões

A escuridão da mata vacila
Mas tu se manténs inteira

Ri
Pois a mesa está posta

Quanto a mim
Além de tratar dos descrentes
Cuido também dos amargurados

Pois riem de nós
Proprietários da impropriedade

Se vemos fartura
Vemos usura
Se vemos felicidade
Vemos necessidade
Se vemos o fruto
Vemos o imo

E tentamos amar o ignorante
E tentamos ressuscitar o amargurado
E tentamos não nos abater

Ri
Mas não nega que meu riso é transparente
Não nega que minha dor é venérea
Não nega que lutamos por razões diferentes

Ri
E continua

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


Guerra de fim de ano,
de ano novo,
ao longo dos anos.
.
Vermelhas marcas no calendário,
sangue,
nos livros, nas mesas de reunião,
no desacordo,
nas faixas, nas insígnias, nos templos...
.
Guerra em tempo real,
os mortos aos vivos,
a dor ao silêncio,
a oração ao vento,
a poeira de volta ao chão.
.
Guerra da terra,
sobre ela o fogo,
água política,
ar de cataclismo.
.
E precipitam mísseis cifrados,
nos peregrinos,
nas escolas,
cabeças e tetos e buracos,
enfermeiras e fuzis e reações.
.
Crianças em Guerra,
o monstro faz-se ouvir,
são criadas, teleguiadas,
paus e pedras – estilingue de metal.
.
Guerra aguda,
histórica,
o sol não se apaga,
a sombra do muro se prolonga,
a morte amola os dentes.

E xingue




A metafísica não dirimirá as culpas

Um dia sob o sol não reporá as energias

Um terço de orações não trará a santa de volta

O pé direito não apontará o caminho da sorte


Compete à luta

Sofro e não sofro


(Dali, sempre ele)

Sofro ao ver as coxas de Maria
E não sofro

Sofro ao subir o morro do Castelo
E não sofro

Sofro ao contemplar o pôr-do-sol
E não sofro

Não sofro as dúvidas do coração
E sofro

Não sofro por contundir meu corpo
E sofro

Não sofro o esvair da existência
E sofro

Não sofro metade do que digo
Ou sofro

Brasil pode levar 87 anos para igualar salários de homens e mulheres

Ivan Richard
Da Agência Brasil Em Brasília

Estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgado nesta terça-feira (16) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mostra que, se as políticas de igualdade de gênero não forem aceleradas, serão necessários 87 anos para igualar salários de homens e mulheres.

A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, comemorou a redução das desigualdades entre homens e mulheres, mas reconheceu que é preciso acelerar o ritmo de implementação das políticas."Desde as últimas Pnads [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios], temos tido notícias boas e más em relação às desigualdades das mulheres. As boas é que existe redução das desigualdades no Brasil. A mais importante seria que diminuiu a diferença salarial entre homens e mulheres", disse a ministra. "A má é que a velocidade não é a que queremos. Se fizermos uma regra de três simples, projetando os dados da Pnad para o futuro, levaríamos 87 anos para superar a diferença salarial entre homens e mulheres", lamentou.Na avaliação do presidente do Ipea, Marcio Pochmann, as desigualdades de gênero estão diminuindo no país, mas ainda são "acentuadas". Segundo ele, a diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho são conseqüência dos modelos agrícola e pecuário que o país viveu no passado. Para acabar com as desigualdade, disse Pochmann, é preciso que as políticas afirmativas sejam de Estado, portanto, contínuas, e não apenas de governos.O estudo analisou 11 blocos temáticos sociais para traçar um perfil das desigualdade de raça e gênero no país. Entre os aspectos analisados estão mercado de trabalho, população, saúde, habitação e Previdência Social.

Filósofo italiano integra grupo de pensadores da UFBA

O escritor e filósofo italiano Antonio Negri é o novo integrante do grupo internacional de pensadores que vai debater sobre a UFBA e seu projeto Universidade Nova, em 2009. Negri foi convidado na segunda-feira, 29, pelo reitor Naomar de Almeida Filho, para integrar o grupo ao lado de pensadores como Ângela Davis, Renato Janine Ribeiro, Boaventura Santos, Michel Mafessouli e Alan Coulon. Negri aceitou o convite dizendo-se "honrado". Autor de "Império", poderoso manifesto anti-globalizaçã o, Toni Negri visitou a UFBA aproveitando sua passagem de férias por Salvador. O reitor também interrompeu suas férias para receber o visitante, homem de postura simples considerado um dos principais filósofos políticos marxistas italianos. Iconoclasta e desdenhoso em relação ao pós-modernismo, Negri tem forte militância política anos 60 e 70. Preso várias vezes na Itália sob suspeita de ser o ideólogo das Brigadas Vermelhas, conseguiu provar inocência sobre quase todas as acusações. Mesmo assim foi condenado a longa pena em um controverso processo de subversão contra o Estado italiano. Atualmente Toni Negri vive em Veneza e divide seu tempo entre Roma e Paris, onde faz seminários no Colégio Internacional de Filosofia e na Universidade Paris I. Além de "Império", escreveu "Multidão", na seqüência de críticas ao processo de globalização.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Poetas: Eu e o neto do Jânio, o Josemar Quadros


O Rio de Janeiro fica feio se chove,
Mas quando o Pão de Açúcar explode,
Toda a cidade fica forrada de neve,
E o povo alegre esquia os morros sobre o papelão.
...
Cada descida equivale a uma subida,
Cada rasgada joga um pouco de neve na cara,
E o Rio se mostra tal e qual um confeito,
Embalado e sortido de montes perfeitos.
...
O Corcovado apresenta-se como o pico mais nevado,
Donde se tem a neve mais pura e consagrada.

O Vidigal parece coberto pelas areias de Ipanema,
Donde o poeta inspira e se inspira, com ou sem pena.
Do Leme ao Pontal, faz-se um passeio surreal.

Já em Copa, a galera no teleférico
Se esforça para pegar neve do lado de fora.

As maravilhas do Rio não estão mais nas belas praias,
O bom é subir o morro e descer carregado da neve açucarada.

Ao Duka Souto, com K e sem L

Nada vezes nada,
em certa parte da noite
um reclame

Um menino,
na friagem da poça,
não vê refletida a estrela

Tudo, tudo, tudo tão escuro,
mãos escuras, teto preto,
o papelão furado de medo

Novamente, cola a pedra no fumo,
seu estado de crueza,
caído na extra-oficialidade da penumbra.