Todo dia a mesma agonia...o bem
vai pra aula, faça isso, aquilo...o bem
trabalhe, se dedique, faça, faça....o bem
faça mais, mais, mais, mais, mais....o bem
sempre foi assim, do começo até o fim
todo dia a mesma agonia....
cobrança, cobrança.....
aarrrgghhhhhh
me deixa em paz....a minha vida.
A MINHA VIDA
eu sei como cuidar....
sei do bem que vem de quem,
sei muito bem.
mas o seu bem, nem sempre é o bem que bem me quer.
vejo, ouço, aprendo, penso...reflito
sinto....sentimento é bom, muito bom...
é algo que você sabe o que é bom...
se tornando o seu bem
quinta-feira, 10 de julho de 2008
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Nas coxas

A favela nunca pára
Porque o céu é de reboco
E toda vez que a chuva cai
Escorre mais um pouco
E cada vez que a casa cai
Sobra um muro de tijolo
E quando a casa agüenta
Bate outra laje como reforço
E se a estrutura não sustenta
Nova tragédia atinge o morro
E por não ter para onde fugir
É obrigado a reconstruir de novo
Todo morro tem seu castelo
Todo castelo tem seu rei
Todo rei tem seu martelo
Todo martelo tem sua utilidade
Toda vez que o martelo arde
Toda cabeça do povo coça
Todas vêem a mesma cena
Todas as estrelas no alto da antena
Há algo de errado nesta joça
Porque o céu é de reboco
E toda vez que a chuva cai
Escorre mais um pouco
E cada vez que a casa cai
Sobra um muro de tijolo
E quando a casa agüenta
Bate outra laje como reforço
E se a estrutura não sustenta
Nova tragédia atinge o morro
E por não ter para onde fugir
É obrigado a reconstruir de novo
Todo morro tem seu castelo
Todo castelo tem seu rei
Todo rei tem seu martelo
Todo martelo tem sua utilidade
Toda vez que o martelo arde
Toda cabeça do povo coça
Todas vêem a mesma cena
Todas as estrelas no alto da antena
Há algo de errado nesta joça
) Eu e a laje de Fernando Montenegro, o bâda (
Subtil
Quando chego em casa
Ela está deitada no sofá da sala
Com a expressão cansada
A voz sonolenta
Quase dormindo
Ela puxa um assunto e eu respondo
Puxa outro e eu complemento
Até que em dado momento
Eu explodo em falas e ela adormece
Toda noite sou seu vinho
Ela sempre toma um pileque
Eu conjugo uvas maduras
Ela transforma-as em gotas de éter
Ela está deitada no sofá da sala
Com a expressão cansada
A voz sonolenta
Quase dormindo
Ela puxa um assunto e eu respondo
Puxa outro e eu complemento
Até que em dado momento
Eu explodo em falas e ela adormece
Toda noite sou seu vinho
Ela sempre toma um pileque
Eu conjugo uvas maduras
Ela transforma-as em gotas de éter
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Nossos Sonhos Foram Meus
(José Carlos Berbert da Silva)
Vai para bem longe amor,
Não deixes que eu sinta,
Esses aromas, esses cheiros,
Essas pegadas, teus rastros.
Zarpa amor, pois meu coração
Já não suporta, entorpecido está.
Leva para bem longe esse feitiço.
Deixa a tua ausente presença.
Cá estou em nossos aposentos,
Curtindo esse cálice de lânguidas tristezas.
Saudade!
Respiro-a, discreta, solenemente.
Nesses sótãos, desvãos, porões.
E essa inquietude que não me deixa enxergá-la,
Nas brumas que margeiam essa vida vã e fugaz?
Oh! E o nosso sonho de eternidade?
Nesse mundo de pecados vivemos,
Jamais nos tocamos!
Felizes fomos.
Em sonhos, quimeras.
É tarde segue teu destino.
Sempre terminas acenando,
Sorrindo, imagino.
A eternidade é doce e amena,
Como nossos sonhos foram,
Doces e amenos.
Vai para bem longe amor,
Não deixes que eu sinta,
Esses aromas, esses cheiros,
Essas pegadas, teus rastros.
Zarpa amor, pois meu coração
Já não suporta, entorpecido está.
Leva para bem longe esse feitiço.
Deixa a tua ausente presença.
Cá estou em nossos aposentos,
Curtindo esse cálice de lânguidas tristezas.
Saudade!
Respiro-a, discreta, solenemente.
Nesses sótãos, desvãos, porões.
E essa inquietude que não me deixa enxergá-la,
Nas brumas que margeiam essa vida vã e fugaz?
Oh! E o nosso sonho de eternidade?
Nesse mundo de pecados vivemos,
Jamais nos tocamos!
Felizes fomos.
Em sonhos, quimeras.
É tarde segue teu destino.
Sempre terminas acenando,
Sorrindo, imagino.
A eternidade é doce e amena,
Como nossos sonhos foram,
Doces e amenos.
Essencialíssimo

(foto: João M. Meirelles)
Eu veículo de mim
A matéria sobre os sonhos
Uma postura ereta
A alma que se curva
Tento a compreensão
A impossível compreensão
E ficam palavras pelo chão
Palavras que piso
Sinto o som das passadas
Os estalos e as risadas
E o corpo reage rapidamente
Retiro meus sapatos
O prazer está em dizer
Não em ser correspondido
Descalço piso as palavras
Meu sonho caminha comigo
(Este eu espirrei, um recorde!)
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Corriqueira

(foto: Mariana David. No close: Talita FragaFragaFraga)
A vida toma tanto rumo
Na vida de quem não tem aprumo
É semente no bico do passarinho
Nota falsa nas vendas do caminho
A tal existência desordeira
Sem casa, apego, eira ou feira
Melhor viver assim?
Ao menos, não se vislumbra o fim!
Sobre o que tem, sabe pouco
Sobre o que não tem, tampouco
Viver da sorte e da benção
Dos que amam e condenam
Quando há prédios, picha o muro
Se for uma trilha, risca o mundo
Até que chegue num cais
Nas terras dos velhos ancestrais
E diz: já estive aqui
E ouve: parta rápido daqui
Os percursos serão mapeados
Por quem possuir interesse
Em conhecer uma vida azulejada
Nas rotas do desinteresse
Onde as curvas são obras do vento
E as rosas produtos do tempo
) Eu e Caris Viesser (
Totalmente antipirético

Meu médico me receitou um antipirético
Um antes e outro depois
Tomei logo a cartela
Tinha pressa
As visões não cessavam
Os 14 antipiréticos não surtiam efeito
As visões se incendiaram
E
De repente
Reapareceu o tal do velho
Pregava seu fim de mundo na minha cabeça
Pregava e pregava e pregava
A mesma ladainha de sempre
Disse-me ele:
João, seu porra
Vai agora e salva o mundo
Pois tudo vai explodir
E me explicou tudo de novo:
De tanto retirarem minérios, petróleo e água do subsolo
A Terra ficará oca, parecendo palafita
Depois haverá um grande terremoto
De proporções mundiais
E a superfície ruirá em direção ao centro da Terra
A crosta terrestre incendiará quando entrar em contato com o magma
Formando uma grande bola de fogo
E a energia será tão medonha
Que acontecerá uma explosão apocalíptica, uma hecatombe
Com a consequente extinção da raça humana
E a formação do segundo sol
Todinho azul
Como uma lapis lazuli
Porra velho, disse eu
Vai se fuder
Sempre esse papinho de fim de mundo
Eu tenho é que me salvar primeiro, porra
Não tá vendo que eu tô ficando doido
Antes do fim do mundo será o meu
Vai aparecer no Congresso Nacional
Um antes e outro depois
Tomei logo a cartela
Tinha pressa
As visões não cessavam
Os 14 antipiréticos não surtiam efeito
As visões se incendiaram
E
De repente
Reapareceu o tal do velho
Pregava seu fim de mundo na minha cabeça
Pregava e pregava e pregava
A mesma ladainha de sempre
Disse-me ele:
João, seu porra
Vai agora e salva o mundo
Pois tudo vai explodir
E me explicou tudo de novo:
De tanto retirarem minérios, petróleo e água do subsolo
A Terra ficará oca, parecendo palafita
Depois haverá um grande terremoto
De proporções mundiais
E a superfície ruirá em direção ao centro da Terra
A crosta terrestre incendiará quando entrar em contato com o magma
Formando uma grande bola de fogo
E a energia será tão medonha
Que acontecerá uma explosão apocalíptica, uma hecatombe
Com a consequente extinção da raça humana
E a formação do segundo sol
Todinho azul
Como uma lapis lazuli
Porra velho, disse eu
Vai se fuder
Sempre esse papinho de fim de mundo
Eu tenho é que me salvar primeiro, porra
Não tá vendo que eu tô ficando doido
Antes do fim do mundo será o meu
Vai aparecer no Congresso Nacional
VIDA & VIVER (Tiago Vilan)

Vida, o que significa?
Viver seria a resposta?
Viver ultrapassa qualquer entendimento
Que entendimento seria?
Vivo porque fui condicionado ou o intenso da vida serve de inteligível
Seria dizer a mesma coisa?
Quem inventou a vida, o viver, realmente não contemplou um por cento do que realmente venha a ser VIVER
Viver ultrapassa qualquer entendimento
Que entendimento seria?
Vivo porque fui condicionado ou o intenso da vida serve de inteligível
Seria dizer a mesma coisa?
Quem inventou a vida, o viver, realmente não contemplou um por cento do que realmente venha a ser VIVER
Chego a minha humilde conclusão de que viver nada mais é do que aprender diariamente
Aprender o que?
Aprender o que?
quinta-feira, 3 de julho de 2008
E esse?
E esse?
E esse o quê?
Você sabe!
Não sei não!
Todo mundo sabe!
Não sei não!
Você tanto sabe que diz que não sabe!
Eu continuo sem saber,
Sinto em lhe dizer,
Sei não!
Pois deveria saber,
Saber é essencial!
Me intriga sua sabedoria,
Diz que devo saber,
Mas não diz o quê!
O quê é a questão,
Como você não sabe o que deveria saber,
Vai ficar sem entender o quê da interrogação!
E esse o quê?
Você sabe!
Não sei não!
Todo mundo sabe!
Não sei não!
Você tanto sabe que diz que não sabe!
Eu continuo sem saber,
Sinto em lhe dizer,
Sei não!
Pois deveria saber,
Saber é essencial!
Me intriga sua sabedoria,
Diz que devo saber,
Mas não diz o quê!
O quê é a questão,
Como você não sabe o que deveria saber,
Vai ficar sem entender o quê da interrogação!
Eu vi daqui
Sinto as palpitações do seu coração.
Na verdade,
Ouço seu coração batendo do outro lado da mesa
Pulsando sobre um guardanapo
Escrevendo um querer
A mulher te alimenta
Faz você querer esse poema
Querer que ela o queira
Que ela queira o seu querer
Você brinca com o quer, como quer
Já vai ruborizado, ansioso, esfomeado
Pois seu sentimento vaindo embora
Caminhando pelo braço até os dedos
Materializando-se sobre o papel usado
Você o imagina passando de mão em mão
As bocas que o beijarão
Um beijo em você, outro no guardanapo
Um beijo em você, outro no guardanapo
Assim manda a educação dos lábios
Faça muito mais que um cantar
Vá direto ao fato, à mulher, ao ato
Em direção ao abstrato
Encontre o anonimato
Faço uso das palavras do desejo
Tanto há no seu peito
Compartilha com essa Deusa
As poesias que tua mente beija
Os escândalos que repartem seu coração
)Eu e Leovigildo(
Na verdade,
Ouço seu coração batendo do outro lado da mesa
Pulsando sobre um guardanapo
Escrevendo um querer
A mulher te alimenta
Faz você querer esse poema
Querer que ela o queira
Que ela queira o seu querer
Você brinca com o quer, como quer
Já vai ruborizado, ansioso, esfomeado
Pois seu sentimento vaindo embora
Caminhando pelo braço até os dedos
Materializando-se sobre o papel usado
Você o imagina passando de mão em mão
As bocas que o beijarão
Um beijo em você, outro no guardanapo
Um beijo em você, outro no guardanapo
Assim manda a educação dos lábios
Faça muito mais que um cantar
Vá direto ao fato, à mulher, ao ato
Em direção ao abstrato
Encontre o anonimato
Faço uso das palavras do desejo
Tanto há no seu peito
Compartilha com essa Deusa
As poesias que tua mente beija
Os escândalos que repartem seu coração
)Eu e Leovigildo(
Vanessa,
) Dedico aos amigos presentes: Ted, Fred, Mouse, Praxa, Kbça e Leovigildo (
Seu perfil de Helena
Encanta como uma canção serena
Desço sua testa até o queixo
E, quase que simplesmente, saio do eixo
Tem o feitiço do rio
Tão júbilo e cristalino
Que as razões perdem o tino
Tudo se torna um desvario
Ah delírio, vejo tua face fêmea
Sentada, indefesa, de amarelo
Queria Deus seja o elo
Fazer-te este doce poema
Seu perfil de Helena
Encanta como uma canção serena
Desço sua testa até o queixo
E, quase que simplesmente, saio do eixo
Tem o feitiço do rio
Tão júbilo e cristalino
Que as razões perdem o tino
Tudo se torna um desvario
Ah delírio, vejo tua face fêmea
Sentada, indefesa, de amarelo
Queria Deus seja o elo
Fazer-te este doce poema
terça-feira, 1 de julho de 2008
Breve mais o quê
Estou cheio de sensações nas veias
Procuro apenas uma ilustração cerebral
Recorro às estantes
Vasculho-as excitantes
Por inúmeros instantes
Cago na calçada
Seco o olho da transeunte
E o mistério se presume
Há a voz
Ninando-me - vela acesa
Mas redurmo atravessado
Mania de pensador
Só pode ser
Estou querendo sempre mais
Procuro apenas uma ilustração cerebral
Recorro às estantes
Vasculho-as excitantes
Por inúmeros instantes
Cago na calçada
Seco o olho da transeunte
E o mistério se presume
Há a voz
Ninando-me - vela acesa
Mas redurmo atravessado
Mania de pensador
Só pode ser
Estou querendo sempre mais
Coisas do hipotálamo

Sei que a independência da Bahia é comemorada no 12 de junho
Ou melhor
No 2 de julho
Acontece que, às vezes, me esqueço
Além do mais
Batalhas não deveriam ser comemoradas
Mesmo uma independência, pois calcada em sangue
Até mesmo uma revolta, pois 18 morreram
Sempre programadas, arquitetadas
Essas desumanas agressões à natureza humana
Não podem ser esquecidas
Só não precisam ser assim lembradas
Como um sino alertando às 18 horas
Lembro de datas
Na maioria das poucas vezes
Úteis
Como aniversário, quando irei à festa
Datas importantes para minha namorada, quando evitarei brigas
E outras que não lembro
No momento
Lembro daquelas sem dia específico
O dia que saí de casa
O dia da formatura
O dia em que perdi a virgindade
Em pé, atrás da Delegacia, na beira da pista
Tenho lido e ouvido alguns sábios
Homens e mulheres que me dizem coisas estranhas
Estranhas como “a vida é um sopro”
E nesses ensinamentos tenho calcado meus pensamentos
Então
Não perco tempo comemorando datas “importantes”, lembramentos aguerris
Por mais antipatriótico ou antibaianidade que possa parecer
Ou melhor
No 2 de julho
Acontece que, às vezes, me esqueço
Além do mais
Batalhas não deveriam ser comemoradas
Mesmo uma independência, pois calcada em sangue
Até mesmo uma revolta, pois 18 morreram
Sempre programadas, arquitetadas
Essas desumanas agressões à natureza humana
Não podem ser esquecidas
Só não precisam ser assim lembradas
Como um sino alertando às 18 horas
Lembro de datas
Na maioria das poucas vezes
Úteis
Como aniversário, quando irei à festa
Datas importantes para minha namorada, quando evitarei brigas
E outras que não lembro
No momento
Lembro daquelas sem dia específico
O dia que saí de casa
O dia da formatura
O dia em que perdi a virgindade
Em pé, atrás da Delegacia, na beira da pista
Tenho lido e ouvido alguns sábios
Homens e mulheres que me dizem coisas estranhas
Estranhas como “a vida é um sopro”
E nesses ensinamentos tenho calcado meus pensamentos
Então
Não perco tempo comemorando datas “importantes”, lembramentos aguerris
Por mais antipatriótico ou antibaianidade que possa parecer
Permanecerei no mundo por uma temporada
De passagem
Melhor é aproveitar e construir novas ondas
Muito mais importantes para minha vida
Ou, quiçá, para a de todos
segunda-feira, 30 de junho de 2008
No fundo dos meus pensamentos (Rafael Vilan, irmão do "Muqueca")

Se eu tivesse juízo, andaria sempre em linha reta.
Não desviaria meu olhar, com medo de encontrar.
O desvio dessa intrigante linha que teria que trilhar.
Imaginações disseminadas, confusas e contemplativas.
Desvario repentino, desejos duradouros e profunda inquietação.
O pensamento que transpõe o óbvio com sutileza e inspiração.
O medo de tentar aquilo que jamais poderia ter na vida
Intempestivamente a minha sanidade questiona o meu ser,
A sensatez da razão impõe a maneira de ver
Leva-me a sentir intensamente a magia nela contida.
É difícil procurar diante de tudo algum entendimento,
Por ser sincero e natural, és tão puro que me acolhe suavemente.
A plenitude desse momento é só da agente
Mas, por um instante, bem que eu a levaria para o fundo dos meus pensamentos.
Não desviaria meu olhar, com medo de encontrar.
O desvio dessa intrigante linha que teria que trilhar.
Imaginações disseminadas, confusas e contemplativas.
Desvario repentino, desejos duradouros e profunda inquietação.
O pensamento que transpõe o óbvio com sutileza e inspiração.
O medo de tentar aquilo que jamais poderia ter na vida
Intempestivamente a minha sanidade questiona o meu ser,
A sensatez da razão impõe a maneira de ver
Leva-me a sentir intensamente a magia nela contida.
É difícil procurar diante de tudo algum entendimento,
Por ser sincero e natural, és tão puro que me acolhe suavemente.
A plenitude desse momento é só da agente
Mas, por um instante, bem que eu a levaria para o fundo dos meus pensamentos.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Ser ou estar

Ser fiel
É cansar de não realizar amores
É deixar-se arder em dores
( É rimar amor e dor )
( É rimar amor e dor )
É sonhar todas as noites com ela
É tê-la por uma tristeza por não tê-la
Sendo fiel meu desejo
Não vejo como não ser infiel
.
Já que estou assim...
Meu Amor, seja compreensiva
Não te conto uma história cínica
Não te conto uma história cínica
Te digo que vivo a modernidade
Lido com o computador desde sempre
Adentro trens-bala, aviões supersônicos
Digito este poema no meu laptop
E logo o publicarei no meu blog
Como trancar-me em meu peito
Se ele não pensa ser um feudo
Se ele não pensa ser um feudo
Se o mundo celebra a expansão
Não posso viver indiferente
A fidelidade é inconveniente
.
Quero amar à vontade
Sem currais, quartos, fronteiras, muros, alianças
Lamber vários pratos
Refrescar-me em minas diversas
Conversar noutras línguas
Caminhar sobre as bandeiras
Desafogar esta tensão
Dar vazão ao tesão
Desafogar esta tensão
Dar vazão ao tesão
.
Abaixo a tudo que me impeça de tê-la
A tudo que coíba um desejo tão violento
Diabos de fidelidade
Proponho um desafio
Sejamos infiéis
E propaguemos o amor livre
Caminho de letras

Cada vez que leio
Muda minha idéia de tempo
Já não é uma superfície linear
Ou sistêmica roda de sal
É o tempo de ler
E sentir algo de fatal
Um mar gelado sem chão
Sacudindo-me gostoso
Muda minha idéia de tempo
Já não é uma superfície linear
Ou sistêmica roda de sal
É o tempo de ler
E sentir algo de fatal
Um mar gelado sem chão
Sacudindo-me gostoso
Inundando-me de cisões/fusões
Visões de lonjura numa página
Em mim, em meu corpo
Enxugo palavras nas sobrancelhas
Retiro-as dos olhos, nariz, ouvidos, tantas
Que o tempo não se faz escutar
Não reclama sua hora
Muito menos eu
Enxugo palavras nas sobrancelhas
Retiro-as dos olhos, nariz, ouvidos, tantas
Que o tempo não se faz escutar
Não reclama sua hora
Muito menos eu
Quem não sabe mais quem é
Diante do texto fui leitor
Outra coisa após lê-lo
Vivendo novo o tempo novo
Revisitando os passados passados
E sou coisa embriagada
Discutindo em voz alta
Derrubando vasos
Quebrando nortes
Embevecida
Cheirando orquídeas
Amolando caninos
Escrevendo feixes de poemas
Caminho sobre as palavras
Para sempre
Em todas as direções
O tempo serve à leitura
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Só a mitologia
Antes mesmo dos tempos de Homero,
acreditavam os gregos que o sol, ao se pôr,
era transportado por uma carruagem dourada pelos ares,
até que, novamente, pudesse ressurgir triunfante no horizonte.
Hipérion, ou “o que está no alto”, é o Deus sol grego,
primeiro dos Deuses primitivos (Deuses originários do Olimpo, que surgiram do caos),
até hoje povoa a cultura ocidental.
Seu nome foi atribuído a uma pequena lua de Saturno pelos cientistas espaciais modernos.
E Tupã? O que fizeste por ele?
A ciência, que propõe uma incessante ruptura paradigmática,
hoje se depara com o entrave da impossibilidade de explicação racional de diversos fenômenos da natureza.
O conhecimento intuitivo prevalece, ao final.
Recentíssimas pesquisas da física quântica, subatômica e especial
hoje chegam a conclusões que há séculos a filosofia espiritualista oriental já alcançara.
Mera coincidência?
Não.
Todas as ciências de baixa tecnologia para vos.
Só a mitologia explica...
(Tiago Carneiro_KT)
acreditavam os gregos que o sol, ao se pôr,
era transportado por uma carruagem dourada pelos ares,
até que, novamente, pudesse ressurgir triunfante no horizonte.
Hipérion, ou “o que está no alto”, é o Deus sol grego,
primeiro dos Deuses primitivos (Deuses originários do Olimpo, que surgiram do caos),
até hoje povoa a cultura ocidental.
Seu nome foi atribuído a uma pequena lua de Saturno pelos cientistas espaciais modernos.
E Tupã? O que fizeste por ele?
A ciência, que propõe uma incessante ruptura paradigmática,
hoje se depara com o entrave da impossibilidade de explicação racional de diversos fenômenos da natureza.
O conhecimento intuitivo prevalece, ao final.
Recentíssimas pesquisas da física quântica, subatômica e especial
hoje chegam a conclusões que há séculos a filosofia espiritualista oriental já alcançara.
Mera coincidência?
Não.
Todas as ciências de baixa tecnologia para vos.
Só a mitologia explica...
(Tiago Carneiro_KT)
Ode ao acaso
O destino é um embriagado guiado por um cego.
Já o cego, por sua vez, tenta, a todo custo, em flashes de relampejo,
imiscuir o mínimo de sobriedade no embriagado convicto do destino.
Ledo engano, infrutíferas tentativas...
Se a melhor coisa da vida é o inesperado,
por que privar-nos, senhor guia cego, dessa inteira ausência de previsibilidade?
Afinal, há sacrilégio mais profano que prever a sua existência ante a um mundo infinito de possibilidades impossíveis?
Já exaltava Horácio, o hedonista reacionário, carpe diem, ou “colha o dia”,
antes que a fruta apodreça no cacho, sem jamais ter sido desfrutado o seu néctar.
(Tiago Carneiro_KT)
Já o cego, por sua vez, tenta, a todo custo, em flashes de relampejo,
imiscuir o mínimo de sobriedade no embriagado convicto do destino.
Ledo engano, infrutíferas tentativas...
Se a melhor coisa da vida é o inesperado,
por que privar-nos, senhor guia cego, dessa inteira ausência de previsibilidade?
Afinal, há sacrilégio mais profano que prever a sua existência ante a um mundo infinito de possibilidades impossíveis?
Já exaltava Horácio, o hedonista reacionário, carpe diem, ou “colha o dia”,
antes que a fruta apodreça no cacho, sem jamais ter sido desfrutado o seu néctar.
(Tiago Carneiro_KT)
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Alheio adeus

Incrédulas
Acompanham a descida do teu caixão
Tapado
Não choram
Te velaram pela madrugada
Foram-se as lágrimas, as forças
O Pesar retirou-lhes a postura
Os olhos se movem sobre ti
Simplesmente te imaginam
Morta de blazer rosa e coberta por outras
Viva, cantando Bossa
Paradas, como um só corpo
Vejo tua filha, tua neta, tua empregada doméstica
Abraçadas, desoladas, são tua familia
Aquela que admiravas e celebravas
Já não haverá festa no dia de teu aniversário
Nem fofocas no almoço envolvendo teus antepassados
Nem o bolo de laranja coberto com chocolate, tuas panquecas
Contigo foi boa parte de ti
Outra nunca apagará
Outra repousa nesse caixão
Ornado com uma linda coroa de flores amarelas, tuas prediletas
Agora apagado no fundo do túmulo
Onde repousam teu marido e teu irmão
E logo chegará tua filha, tua neta
Tua empregada doméstica será enterrada longe
Lá no interior de onde vieram vocês duas
Acompanham a descida do teu caixão
Tapado
Não choram
Te velaram pela madrugada
Foram-se as lágrimas, as forças
O Pesar retirou-lhes a postura
Os olhos se movem sobre ti
Simplesmente te imaginam
Morta de blazer rosa e coberta por outras
Viva, cantando Bossa
Paradas, como um só corpo
Vejo tua filha, tua neta, tua empregada doméstica
Abraçadas, desoladas, são tua familia
Aquela que admiravas e celebravas
Já não haverá festa no dia de teu aniversário
Nem fofocas no almoço envolvendo teus antepassados
Nem o bolo de laranja coberto com chocolate, tuas panquecas
Contigo foi boa parte de ti
Outra nunca apagará
Outra repousa nesse caixão
Ornado com uma linda coroa de flores amarelas, tuas prediletas
Agora apagado no fundo do túmulo
Onde repousam teu marido e teu irmão
E logo chegará tua filha, tua neta
Tua empregada doméstica será enterrada longe
Lá no interior de onde vieram vocês duas
terça-feira, 17 de junho de 2008
Os últimos dias
Que a terra há de comer.
Mas não coma já.
Ainda se mova,
para o ofício e a posse.
E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.
Sinta frio, calor, cansaço;
para um momento; continue.
Descubra em seu movimento
forças não sabidas, contatos.
O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.
Prazer de balanço, prazer de vôo.
Prazer de ouvir música;
sobre o papel deixar que a mão deslize.
Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
certos objetos, diferentes a uma luz nova.
Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.
O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como vivem, de ajudá-las.
De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instate,
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sombra maior, de estrada sem trânsito.
E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.
Tem na certa um cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.
E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.
Antes dele outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estátua: é um torso
de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.
O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte, e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas:
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.
Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entrentanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.
E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.
O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena amplo fulgurante, facho lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.
A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?
A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.
Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mell dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.
E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize,
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.
E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéia de justiça, revolta e sono, adeus,
vida aos outros legada.
(Carlos Drummond de Andrade)
Mas não coma já.
Ainda se mova,
para o ofício e a posse.
E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.
Sinta frio, calor, cansaço;
para um momento; continue.
Descubra em seu movimento
forças não sabidas, contatos.
O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.
Prazer de balanço, prazer de vôo.
Prazer de ouvir música;
sobre o papel deixar que a mão deslize.
Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
certos objetos, diferentes a uma luz nova.
Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.
O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como vivem, de ajudá-las.
De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instate,
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sombra maior, de estrada sem trânsito.
E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.
Tem na certa um cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.
E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.
Antes dele outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estátua: é um torso
de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.
O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte, e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas:
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.
Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entrentanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.
E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.
O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena amplo fulgurante, facho lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.
A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?
A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.
Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mell dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.
E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize,
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.
E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéia de justiça, revolta e sono, adeus,
vida aos outros legada.
(Carlos Drummond de Andrade)
Tim-tim por tim-tim (na voz de João Gilberto)
Você tem que dar, tem que dar
O que prometeu meu bem
Mande o meu anel que de volta
Eu lhe mando o seu também
Mande a carta em que eu dizia
O amor não tem fim
Que eu lhe mando outra explicando tim tim por tim tim
Você tem que devolver
O que era meu, bem meu
Mande meu retrato e ponha outro em seu lugar
Morreu um rei, salve o rei que vai chegar
Não sei sofrer, não sei chorar
Eu sei me conformar
(Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques)
O que prometeu meu bem
Mande o meu anel que de volta
Eu lhe mando o seu também
Mande a carta em que eu dizia
O amor não tem fim
Que eu lhe mando outra explicando tim tim por tim tim
Você tem que devolver
O que era meu, bem meu
Mande meu retrato e ponha outro em seu lugar
Morreu um rei, salve o rei que vai chegar
Não sei sofrer, não sei chorar
Eu sei me conformar
(Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques)
Beldade, beldade
Quando iria tê-la nos braços?
Moça bonita, de testa altiva e olhar pensativo,
Circunspecta e tristonha como eu.
Por que nunca reparastes em sua volta.
Nunca estavas nas festas do clube!
E a cada dia, a cada manhã,
Mais encantadora se tornava.
E linda e enigmática passavas.
Algumas vezes olhou-me e pareceu cumprimentar-me.
Na verdade, nunca notara a minha presença.
Parecia não ter ninguém, como eu.
Apaixonado andava.
E a moça passando, lindamente passando,
Indiferente.
E a moça foi ficando monótona,
Arrebatadora e cansativa,
Tediosa, romântica e chata,
No seu encanto, na sua tristeza,
Passando, passando.
(José Carlos Berbert da Silva)
Moça bonita, de testa altiva e olhar pensativo,
Circunspecta e tristonha como eu.
Por que nunca reparastes em sua volta.
Nunca estavas nas festas do clube!
E a cada dia, a cada manhã,
Mais encantadora se tornava.
E linda e enigmática passavas.
Algumas vezes olhou-me e pareceu cumprimentar-me.
Na verdade, nunca notara a minha presença.
Parecia não ter ninguém, como eu.
Apaixonado andava.
E a moça passando, lindamente passando,
Indiferente.
E a moça foi ficando monótona,
Arrebatadora e cansativa,
Tediosa, romântica e chata,
No seu encanto, na sua tristeza,
Passando, passando.
(José Carlos Berbert da Silva)
domingo, 15 de junho de 2008
Valei-me!

Festa da Igreja é boa
Sempre tem umas freirinhas
Saiote folgado e crucifixo entre os seios
Comem maçã do amor
Enquanto olham por debaixo dos óculos
O pinto dos homens de bem
Tem o vinho dos padres
Mais doce que algodão doce
Desce à rodo na sacristia
As autoridades e sacerdotes se embebedam
E as fofoquinhas começam a surgir
Política, dinheiro, putaria
Tem as hóstias do Senhor
Confeccionadas no mais puro requinte
Não tem gosto de nada
Mas é louca a idéia de estar comendo o corpo de Cristo
E todo mundo viaja nessa onda
Fazem fila e a porra
As beatas são um caso à parte
Donas da Casa Paroquial, promovem a organização
Correm atrás de recursos (que piada!)
Dão atenção aos interessados que lá aparecem
Dão atenção aos interessados que lá aparecem
Tudo isso de graça, em nome da fé
Deus tá vendo!
Não posso esquecer dos pedintes
O povinho acostumado a pedir
Ao verem os preparativos na Sé
Sentam-se na entrada da mesma
Com seus paninhos de bunda e cara de cream-cracker
Esmolando e amolando a Aristocracia e o Clero
Oh raça!
E tem o cachorro, claro
Anda olhando as mãos das pessoas
Fitando as migalhas e sobras
Deve ser descendente de cães europeus da idade média
Testemunhas oculares dos banquetes e orgias
Eles ficam prum lado e pro outro
Passando fome e recebendo enxoto
Não posso esquecer dos pedintes
O povinho acostumado a pedir
Ao verem os preparativos na Sé
Sentam-se na entrada da mesma
Com seus paninhos de bunda e cara de cream-cracker
Esmolando e amolando a Aristocracia e o Clero
Oh raça!
E tem o cachorro, claro
Anda olhando as mãos das pessoas
Fitando as migalhas e sobras
Deve ser descendente de cães europeus da idade média
Testemunhas oculares dos banquetes e orgias
Eles ficam prum lado e pro outro
Passando fome e recebendo enxoto
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Foxy lady

Humor negro
Quando digo que vou gozar
Corre aos risos
Tenho que pegar
Jogar no sofá
Passar um sermão
Colado na boca
Abafar seus gemidos
Amor e castigo
Passado o primeiro tempo
Volta pra atiçar
Começa no psiu
Depois são indecências
Mordo a bandida
Roçamos as pernas
Pelados na escada
Meia noite
Nos beijamos enfastiados
Entre finos agrados
Pergunto se me ama
Dá um tapa na cara
Desce as escadas
Grita meu nome
Resposta errada...
Quando digo que vou gozar
Corre aos risos
Tenho que pegar
Jogar no sofá
Passar um sermão
Colado na boca
Abafar seus gemidos
Amor e castigo
Passado o primeiro tempo
Volta pra atiçar
Começa no psiu
Depois são indecências
Mordo a bandida
Roçamos as pernas
Pelados na escada
Meia noite
Nos beijamos enfastiados
Entre finos agrados
Pergunto se me ama
Dá um tapa na cara
Desce as escadas
Grita meu nome
Resposta errada...
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Azuis

Para o que escrevo não há tradução
Faço poemas
Noutras línguas
Faço poemas
Noutras línguas
Faltarão alegorias e metáforas
Para representar meus recheios
A poética miscigenação
Para representar meus recheios
A poética miscigenação
As dores do meu Centro Histórico
O vapor do abará recém-cortado
As gírias, os assobios, os pitacos
Os sentimentos de baiano quebrado
Quem saberá traduzir?!
Além do mais
Escrevo para mim
Para o meu deleite
Devoro o tempo sobre as palavras
Sobre minhas angústias intermináveis
Eu
Homem da mata
Enclausurado numa sala fria
Enquanto a vida poliniza sua energia
Enquanto poderia estar na França
Vestido de palhaço
Brincando com uma garotinha no metrô
Ou em Ketu
No terreiro, embaixo da árvore
Aprendendo com os mais velhos
Tudo sobre os orixás
E como se tornar um filho de Xangô
Para o que faço não há tradução
Então preste atenção
O resto do mundo nunca me lerá
Somente nós
Sentados na frente destas telas
Sentindo a mesma angústia
Nós
Pessoas da mata
Desenvolvendo síndrome do pânico
Caspa, obesidade, maus hábitos
Enquanto a vida poliniza sua energia
Enquanto poderíamos estar nos amando
Transando no meio da rua
Levando um pouco de satisfação sexual
Ou recitando poemas do Pessoa
Poemas ridículos de amor
Para essa sociedade de números e perdas
Ninguém traduzirá o que sinto agora
Neste instante
Sinto algo que nem eu sei traduzir
Meu peito se arrepia
Minha cabeça gira
Minhas mãos suam
Preciso escrever
Preciso sair desta sala
Mas não quero parar de escrever
Estou rendido a este antigo hábito
Preciso de asas
Grandes como num sonho
Voaria descansado
As mãos livres
Além do mais
Escrevo para mim
Para o meu deleite
Devoro o tempo sobre as palavras
Sobre minhas angústias intermináveis
Eu
Homem da mata
Enclausurado numa sala fria
Enquanto a vida poliniza sua energia
Enquanto poderia estar na França
Vestido de palhaço
Brincando com uma garotinha no metrô
Ou em Ketu
No terreiro, embaixo da árvore
Aprendendo com os mais velhos
Tudo sobre os orixás
E como se tornar um filho de Xangô
Para o que faço não há tradução
Então preste atenção
O resto do mundo nunca me lerá
Somente nós
Sentados na frente destas telas
Sentindo a mesma angústia
Nós
Pessoas da mata
Desenvolvendo síndrome do pânico
Caspa, obesidade, maus hábitos
Enquanto a vida poliniza sua energia
Enquanto poderíamos estar nos amando
Transando no meio da rua
Levando um pouco de satisfação sexual
Ou recitando poemas do Pessoa
Poemas ridículos de amor
Para essa sociedade de números e perdas
Ninguém traduzirá o que sinto agora
Neste instante
Sinto algo que nem eu sei traduzir
Meu peito se arrepia
Minha cabeça gira
Minhas mãos suam
Preciso escrever
Preciso sair desta sala
Mas não quero parar de escrever
Estou rendido a este antigo hábito
Preciso de asas
Grandes como num sonho
Voaria descansado
As mãos livres
Os olhos encarando a paisagem
Escreveria cada sensação do vôo
Os respingos das nuvens
A companhia dos pássaros
O medo de ser atingido por um raio
Escreveria tudo
Mas me faltam asas
Mas tenho a escrita
Escreveria cada sensação do vôo
Os respingos das nuvens
A companhia dos pássaros
O medo de ser atingido por um raio
Escreveria tudo
Mas me faltam asas
Mas tenho a escrita
terça-feira, 10 de junho de 2008
Léo (Milton e Chico)
Um pé na soleira e um pé na calçada, um pião
Um passo na estrada e um pulo no mato
Um pedaço de pau
Um pé de sapato e um pé de moleque
Léo
Um pé de moleque e um rabo de saia, um serão
As sombras da praia e o sonho na esteira
Uma alucinação
Uma companheira e um filho no mundo
Léo
Um filho no mundo e um mundo virado, um irmão
Um livro, um recado, uma eterna viagem
A mala de mão
A cara, a coragem e um plano de vôo
Léo
Um plano de vôo e um segredo na boca, um ideal
Um bicho na toca e o perigo por perto
Uma pedra, um punhal
Um olho desperto e um olho vazado
Léo
Um olho vazado e um tempo de guerra, um paiol
Um nome na serra e um nome no muro
A quebrada do sol
Um tiro no escuro e um corpo na lama
Léo
Um nome na lama e um silêncio profundo, um pião
Um filho no mundo e uma atiradeira
Um pedaço de pau
Um pé na soleira e um pé na calçada
Um passo na estrada e um pulo no mato
Um pedaço de pau
Um pé de sapato e um pé de moleque
Léo
Um pé de moleque e um rabo de saia, um serão
As sombras da praia e o sonho na esteira
Uma alucinação
Uma companheira e um filho no mundo
Léo
Um filho no mundo e um mundo virado, um irmão
Um livro, um recado, uma eterna viagem
A mala de mão
A cara, a coragem e um plano de vôo
Léo
Um plano de vôo e um segredo na boca, um ideal
Um bicho na toca e o perigo por perto
Uma pedra, um punhal
Um olho desperto e um olho vazado
Léo
Um olho vazado e um tempo de guerra, um paiol
Um nome na serra e um nome no muro
A quebrada do sol
Um tiro no escuro e um corpo na lama
Léo
Um nome na lama e um silêncio profundo, um pião
Um filho no mundo e uma atiradeira
Um pedaço de pau
Um pé na soleira e um pé na calçada
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Amazona

Meu programa é te filmar
É te ver fumar cigarro
Cara de santa enquanto traga
Cara de ânsia enquanto serve a cerveja
O modo de limpar o canto da boca
Sugere estar dando um selinho
Você me invoca
O que te faz tão vadia?
Seria a distância?
Pode ser minha antropofagia
A mania de comer com os olhos
Achando néctar na rua suja
Entretanto
Tua saiazinha te entrega
Tem um corte sacana
Imagino tua penteadeira
As coisas que traz na bolsa
Teus dilemas
Por ser uma morena loira
Teu celular toca
Precisava desta deixa
Cai na risada e o bar é todo teu
Não bastava eu
Morena loira ardilosa
É do tipo que não fecha a porta
Deixa a braguilha aberta
Usa sutiã sem alça
E costuma sair sem calcinha
Aonde vou te encontro
Sempre só
Fumando
Bebendo
Rindo
Falando alto
Em breve faremos um estudo etnográfico
Me dirá coisas que nem imagino
É te ver fumar cigarro
Cara de santa enquanto traga
Cara de ânsia enquanto serve a cerveja
O modo de limpar o canto da boca
Sugere estar dando um selinho
Você me invoca
O que te faz tão vadia?
Seria a distância?
Pode ser minha antropofagia
A mania de comer com os olhos
Achando néctar na rua suja
Entretanto
Tua saiazinha te entrega
Tem um corte sacana
Imagino tua penteadeira
As coisas que traz na bolsa
Teus dilemas
Por ser uma morena loira
Teu celular toca
Precisava desta deixa
Cai na risada e o bar é todo teu
Não bastava eu
Morena loira ardilosa
É do tipo que não fecha a porta
Deixa a braguilha aberta
Usa sutiã sem alça
E costuma sair sem calcinha
Aonde vou te encontro
Sempre só
Fumando
Bebendo
Rindo
Falando alto
Em breve faremos um estudo etnográfico
Me dirá coisas que nem imagino
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Ao Mestre

Tua estátua não é estática
É superstição que se move depressa
É som de telefone, grito de vizinha, estalar de palmas
É reclame da massa enfurecida, proletários indignados
É sinal de fumaça, de 3ª guerra, de moléstia grave
Não faz sombra, é a total incerteza
Indefinição, intranqüilidade, insorte
Tua estátua não murmura, não sussurra, não treme
Rejeita consolo, colo, carinho, carícia
Tampouco geme, chora, resmunga, pede
Tem a explosão da queda de todas as cristaleiras
Recorta o homem em inúmeros dizeres
É sanguinária por amor e devoção à vida
Adverte políticos, marca jovens, sintetiza sentimentos
Tua estátua tem a propriedade de chamar
De ligar o questionamento, a busca, localiza
Perquirir a devastadora fome, a triste miséria
Revela sensações bravias e dores antepassadas
Percorre o franzir da testa, as manchas das mãos
Puxa o rabo das cachorras das madames
Cria uma bienal em muitas cabeças
Tua antiestátua é uma boa puta
Muito mais, mas muito mais
Que o sorriso na face de um homem calado
É superstição que se move depressa
É som de telefone, grito de vizinha, estalar de palmas
É reclame da massa enfurecida, proletários indignados
É sinal de fumaça, de 3ª guerra, de moléstia grave
Não faz sombra, é a total incerteza
Indefinição, intranqüilidade, insorte
Tua estátua não murmura, não sussurra, não treme
Rejeita consolo, colo, carinho, carícia
Tampouco geme, chora, resmunga, pede
Tem a explosão da queda de todas as cristaleiras
Recorta o homem em inúmeros dizeres
É sanguinária por amor e devoção à vida
Adverte políticos, marca jovens, sintetiza sentimentos
Tua estátua tem a propriedade de chamar
De ligar o questionamento, a busca, localiza
Perquirir a devastadora fome, a triste miséria
Revela sensações bravias e dores antepassadas
Percorre o franzir da testa, as manchas das mãos
Puxa o rabo das cachorras das madames
Cria uma bienal em muitas cabeças
Tua antiestátua é uma boa puta
Muito mais, mas muito mais
Que o sorriso na face de um homem calado
Silêncio

Em suas entrelinhas
Pousam diversas dúvidas
Circulam inúmeras respostas
Além de mil palavras
Muitos mais de mil livros
O humor de Chaplin
As pinturas rupestres
Os gestos do recém-nascido
O olhar dos pais
A boca
Pode agredir mais que um chute
Pesar além das costas
Cortar tanto quanto a cerra
Calar como uma anestesia
O silêncio diz
Consente
Menospreza
...
Escrevo-o
Porque não me calo
Eu o castigo
Pousam diversas dúvidas
Circulam inúmeras respostas
Além de mil palavras
Muitos mais de mil livros
O humor de Chaplin
As pinturas rupestres
Os gestos do recém-nascido
O olhar dos pais
A boca
Pode agredir mais que um chute
Pesar além das costas
Cortar tanto quanto a cerra
Calar como uma anestesia
O silêncio diz
Consente
Menospreza
...
Escrevo-o
Porque não me calo
Eu o castigo
De sentir
Meu amar é assim
Ver e gostar e querer e amar sem fim
Num piscar de luz
Num ultrapassar de carro
Num abrir de sorriso
Assim é meu amar
Com facilidade (sem dificuldades)
Sem impor condições
Sem medir tamanho
Com força e brilho
Este amar acanhado e menino
Contenta-se apenas com sua boca sorrindo
Fácil e molhada e desejosamente
Feliz como num anúncio
Amar humilde
Mesmo sendo para outro
Ou sendo num retrato
Ou num relance esparso
Mas para mim
Homem de amores sem fim
Sua boca foi o mero princípio
Sem dor, sem doçura
Tornou-se uma insana loucura
Estampada nos muros, nos folhetos
Nas faces, nos postes
É algo que corre a galope
Respira ofegante em meus ouvidos
É sombra dum alvoroço
Fome com nome e sem salvação
Pois não me ama
Não me quer
Não me gosta
Sequer me vê
Ver e gostar e querer e amar sem fim
Num piscar de luz
Num ultrapassar de carro
Num abrir de sorriso
Assim é meu amar
Com facilidade (sem dificuldades)
Sem impor condições
Sem medir tamanho
Com força e brilho
Este amar acanhado e menino
Contenta-se apenas com sua boca sorrindo
Fácil e molhada e desejosamente
Feliz como num anúncio
Amar humilde
Mesmo sendo para outro
Ou sendo num retrato
Ou num relance esparso
Mas para mim
Homem de amores sem fim
Sua boca foi o mero princípio
Sem dor, sem doçura
Tornou-se uma insana loucura
Estampada nos muros, nos folhetos
Nas faces, nos postes
É algo que corre a galope
Respira ofegante em meus ouvidos
É sombra dum alvoroço
Fome com nome e sem salvação
Pois não me ama
Não me quer
Não me gosta
Sequer me vê
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